sábado, 19 de setembro de 2020

A Tenda Vermelha (The Red Tent), de Mikhail Kalatozov (1969)

General Umberto Nobile, o comandante de uma fracassada expedição de um dirigível ao Ártico em 1928 relembra os acontecimentos com seu dirigível Itália. O vôo, o desastre e os esforços de busca. Os fantasmas das pessoas envolvidas aparecem como se fosse reais para Nobile em suas lembranças para ajudá-lo a determinar sua culpa no caso. As lembranças são misturadas com a ação real: o vôo do Itália, a operação de resgate do campo aeronáutico de Kings Bay e pelo navio quebra-gelo Krassin. 

Dirigido por Mikhail Kalatozov.

A Tenda Vermelha foi o último filme de Kalatozov. Iria falecer em 1973.

Elenco: Peter Finch (como Umberto Nobile), Sean Connery (como Roald Amundsen), Claudia Cardinale  (como Valéria), Hardy Kruger (Einar Lundborg) e Eduard Martsevich (como Malmgren).

Trilha sonora de Ennio Morricone


A tenda vemelha, título do filme, é por causa da tenda que usaram para os sobreviventes chamarem atenção e aguardarem o resgate.

Perguntado para dar sua avaliação da liderança de Umberto Nobile no desastre do dirigível Itália, seu amigo e colega, Samoilovich, proferiu esta sábia frase, "Os homens são julgados pelas suas ações e suas ações pelo seu sucesso". Quais são exatamente as qualidades necessárias para a liderança? Este filme é uma boa reflexão para esta pergunta. Após o desastre e seu resgate, Nobile foi acusado de abandonar seus homens e acabou se tornando o bode expiatório ou o único culpado pelo governo de Benito Mussolini.

Quarenta anos depois do acontecido, seu descanso ainda é perturbado por dúvidas em sua liderança exercida. A tragédia poderia ter sido evitada? Foi talvez seu excesso de vaidade, que levou à calamidade? Essas e outras questões são levantadas pelo filme.

O filme inteiro, na verdade, acontece na cabeça do general e em seu apartamento. Ele convoca vários participantes do evento, para reviver o que aconteceu e fazerem julgamento dele. O filme é muito interessante nesse aspecto, pois examina a liderança de Nobile sob pontos de vista divergentes, permitindo que o público faça seu próprio julgamento.

Em tempo, chegaremos a aprender que a verdade muitas vezes tem duas pernas e tem um mão direita e uma mão esquerda. "Contudo devemos fazer um julgamento", diz um dos participantes. 

O roteiro é muito bem escrito e as atuações são de alto nível. Sean Connery, já livre da sua imagem de James bond, interpreta Roald Amundsen, o grande explorador do Ártico. É Amundsen que exemplifica as qualidades que um grande líder deve ter. Uma das melhores interpretações de Connery. É um dos participantes que Nobile não gosta de relembrar. Mas  irrompendo nas suas lembranças como uma força da natureza, ele descreve como ele chegou até o desastre do Itália de avião.

O cínico Lundborg zomba desse toque final de Amundsen como 'teatro'. "Mas para que eu eu estaria atuando" Amundsen pergunta. "Para você mesmo", Lundborg responde. "Mas isso não é atuar," Connery responde. Isso era necessário. O truque era escolher o papel certo."

A belíssima Claudia Cardinale é uma enfermeira que oferece uma parte emocional do filme. Ela namora o meteorologista, Finn Malgren. Ela depois confronta Nobile depois que ele é resgatado com segurança, enquanto que os outros foram deixados congelando.

Peter Finch, como Nobile, carrega o filme. Ele consegue passar a inteligência, a coragem, a vaidade e desespero de sua conduta. Ele é um homem que, ao mesmo tempo, admira Amundsen e ressente sempre ser comparado com ele. Hardy Kruger interpreta o aviador Lundborg com um toque de charme e muito cinismo. Ele é o primeiro a chegar aos sobreviventes.

Sir Sean Connery passou três semanas filmando em Moscou, Peter Finch passou nove meses na produção.

O filme foi o primeiro a ser uma co-produção da União Soviética e Itália.

As filmagens duraram 62 semanas. Incluía locações em Estônia, Mar Báltico, e o Arquipélago de Spitzbergen no Oceano Ártico, além dos trabalhos de estúdio em Roma e Moscou.

Foto com o Peter Finch e o general Umberto Nobile.


O filme, baseado em fatos verídicos, narra o desastre envolvendo o famoso aviador Umberto Nobile (1885-1978). Nobile foi considerado culpado por uma série de más decisões, que levou ao desastre do dirigível. Na época do acidente, ele estava tendo problemas para dormir, que pode ter dificultado suas funções cognitivas. Ele estava sem dormir por pelo menos 72 horas antes do momento do acidente.

O desastre ocorreu em Maio de 1928 e causou a morte de 17 pessoas, incluindo alguns que participaram do resgate.

Na época da estreia do filme, em 1969, pelo menos quatro participantes diretos nos acontecimentos estavam vivos: Umberto Nobile, o navegador A. Villieri, o piloto soviético B.G. Chukhnovsky e  o professor F. Begounek. Nobile foi à estreia do filme em Roma em Dezembro de 1969.

Para as filmagens, foi usado um modelo de 20 metros, enchido com hélio e preso ao chão e da água por cabos. O modelo sofreu acidente várias vezes, batendo em vários objetos por causa da ventania.

A versão soviética tem trilha sonora de Aleksandr Zatsepin, enquanto que a versão italiana, tem a trilha de Morricone.

Em 1972, o filme foi indicado para o Globo de Ouro como Melhor Filme Estrangeiro em inglês.

Há muitos textos na Internet, principalmente em inglês, sobre esse desastre. 

Um deles, mas em português, é este que encontrei: http://herdeirodeaecio.blogspot.com/2018/05/o-desastre-do-dirigivel-italia.html


Veja o filme legendado no link abaixo:

https://1drv.ms/u/s!AsG-jsm3UF0ae4jIKi8LcegCBkc?e=lRrBeH


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