sábado, 28 de novembro de 2020

Desaparecido: Um Grande Mistério (Missing), de Costa-Gravas (1982)

Em setembro de 1973, no Chile, o jornalista americano Charles Horman (John Shea) chega em Santiago com sua amiga Terry Simon (Melanie Mayron) para se encontrar com sua esposa Beth (Sissy Spacek) e trazê-la de volta para Nova York com ele. Contudo, eles são surpreendidos pelo golpe militar no Chile contra o presidente Salvador Allende, patrocinado pelo governo americano, que não queria que a esquerda e o comunismo se espalhasse na América Latina. Charles é preso pelo força militar do país.

O pai dele, Ed Horman (Jack Lemmon), um homem de negócios conservador de Nova York, chega ao Chile para procurar, junto com Beth, o filho desaparecido. Ele vai ao consulado americano para conversar com o cônsul, que promete a ele todos os esforços para encontrar Charles, enquanto que a cética Beth não confia em nenhuma palavra das autoridades americanas. O nacionalismo e a confiança de Ed em seu governo vai mudando à medida em que ele descobre a verdade sobre o que aconteceu com seu filho.

Mais uma bela obra política do grande diretor grego-francês Costa-Gravas. Já coloquei alguns filmes dele em nosso canal no YouTube, mas este tive que postar aqui no blog.

O filme, apesar de já ter mais de 38 anos, ainda é muito atual, impressiona e conta com uma grande interpretação de Jack Lemmon. O primeiro filme de Costa-Gravas no cinema americano não poderia ser melhor, expondo as feridas escondidas sobre a participação do governo americano no golpe contra Allende.

Durante a ditadura de Pinochet, que foi de 1973 a 1990, este filme foi banido do Chile.

Os verdadeiros Ed Horman e Joyce Horman (Beth aqui no filme) trabalharam muito próximos com Costa-Gravas, Lemmon e Spacek no decorrer da produção do filme. Costa-Gravas disse que depois que Pinochet morreu, em 2006, tanto ele como Joyce Horman lamentaram que o ex-ditador chileno não tivesse sido levado à justiça.

O filme concorreu no Festival de Cannes em 1982, onde ganhou a Palma de Ouro e o prêmio de Melhor Ator para Jack Lemmon.

No elenco, ainda tem a presença de Janice Rule como Kate Newman.

A trilha sonora do filme é do grego Vangelis, que já havia ganho o Oscar de Melhor Trilha Sonora por "Carruagens de Fogo".

O filme foi indicado para quatro prêmios da Academia, incluindo o de Melhor Filme, Melhor Ator (Jack Lemmon) e Melhor Atriz (Sissy Spacek). Acabou levando o de Melhor Roteiro.

Veja abaixo o link para ver o filme:

https://1drv.ms/u/s!AsG-jsm3UF0agRZOymb47Rwblugm?e=boVexb


quinta-feira, 26 de novembro de 2020

Mary Stuart, Rainha da Escócia (Mary, Queen of Scots), de Charles Jarrott (1971)

Este filme mostra os tempos tormentosos do final do século 16 na Inglaterra. Na verdade, o filme relata fatos de Novembro de 1560 a Fevereiro de 1587. 

Vanessa Redgrave faz a Rainha da Escócia, Mary Stuart. Forçada a voltar para a Escócia, após a morte de seu marido francês, a católica Mary chega em meio a algumas hostilidades por parte do súditos protestantes. Além disso, sua prima Elizabeth (Glenda Jackson) faz as coisas ficarem difíceis para ela lá do sul da fronteira. A história é bem conhecida. Maria foi a única descendente legítima sobrevivente do rei Jaime V da Escócia, tendo apenas seis dias de idade quando seu pai morreu. Ela passou a maior parte de sua infância na França, enquanto a Escócia era governada por regentes, casando-se em 1558 com Francisco, Delfim da França. Ele ascendeu ao trono em 1559 como Francisco II e Maria brevemente se tornou sua consorte. Todavia Francisco acabou morrendo no final do ano seguinte. Maria voltou então para a Escócia viúva, chegando em Leith no dia 19 de agosto de 1561. Casou-se quatro anos depois com seu primo Henrique Stuart, Lorde Darnley, porém a união foi infeliz. A sua residência foi destruída em fevereiro de 1567 numa explosão, com Henrique sendo encontrado morto no jardim.

Glenda faria no mesmo ano a minissérie "Elizabeth R" sobre a Rainha Elizabeth I, que ganharia o Emmy. O elenco tem a presença de Trevor Howard como o manipulador Burghley, Timotthy Dalton como o marido dissoluto de Mary, Henry Darnley, Ian Holm como o doente David Rizzio, Nigel Davenport como Bothwell e Patrick McGoohan como seu ambicioso meio irmão. Atenção deve ser dada aos detalhes das locais de filmagem e figurino e a trilha sonora soberba de John Barry.

Vanessa era para ter feito o papel de Elizabeth, mas foi substituída por Glenda e depois escolhida para fazer Mary Stuart. Redgrave mais tarde fez a Rainha Elizabeth no ótimo filme "Anônimo" de 2011, junto com Rhys Ifans.

Jane Fonda, Mia Farrow e Sophia Loren foram as primeiras escolhas para Mary. Vanessa foi a quarta escolha. Dame Maggie Smith chegou a ser cotada, mas não se concretizou.

Vanessa teve que aprender a canção título "Vivre et Mourir" foneticamente, porque ela não sabia falar Francês.

Nas cenas finais do filmes: Elizabeth reinou a Inglaterra por mais dezesseis anos. Ela morreu como viveu. Sem se casar e sem filhos. Ironicamente, o trono da Inglaterra e da Escócia passou para o único possível que poderia reivindicá-lo, um homem, Rei  James I, o filho único de Mary Stuart, a Rainha da Escócia.


Veja o filme no link abaixo e em breve aqui neste blog a minissérie "Elizabeth R", com Glenda Jackson.

https://1drv.ms/v/s!AsG-jsm3UF0agRX1n8DfynhU59JT?e=S2eWZf




 






sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Um Toque de Classe (A Touch of Class), de Melvin Frank (1973)

Com Glenda Jackson como Vickie Allessio e George Segal como Steve Blackburn.

Steve mexe com negócios de seguro, é casado e tem duas crianças. Vickie Allessio, um autodenominada 'ladra' de design para uma casa de moda, é uma divorciada recente com duas crianças também. Steve e Vickie se encontram em várias situações no dia a dia de suas vidas em Londres, antes de saberem quem é quem. Algo que se adequa bem a ambos, quando finalmente se encontram oficialmente. Steve quer ter um caso com ela. Ele tem tido casos, toda vez que sua esposa está fora e que é o caso, pois ela está nos Estados Unidos visitando os pais dela. Vickie, por sua vez, aceita ter um caso livre, sem amarras, com ele, sob circunstâncias específicas, isto é, desde que seja um pequeno e elegante caso de curto prazo, com um toque de classe. Ou seja, sem hotéis baratos e preferencialmente um fim de semana longe e em um lugar menos frio. Depois de conseguir uma viagem para Málaga na Espanha, Steve convence Vickie a mudar os planos....

Este é uma comédia charmosa daquelas que não são mais feitas hoje em dia, porque os valores, as ideias mudaram do que é e o que não é moral. O roteiro (em que o próprio diretor do filme assina como co-roteirista) tem ótimos diálogos e a vida emocional do filme é complexa. Para o mundo de hoje, da moralidade preta e branca, este filme não será entendido. Não é sobre libertinagem ou traição de marido e mulher. É sobre amor inesperado e sua complicações. O público de hoje não vai entender, mas para a geração para a qual esse filme foi feito, ele ainda toca o coração.

Havia rumores de que o Oscar Melhor Atriz iria para Marsha Mason por "Licença para amar até a meia-noite" ou Ellen Burstyn por "O Exorcista", pois eram as favoritas. Mas acabou indo para Glenda Jackson. Ela já havia feito uma minissérie muito premiada como Elizabeth I, em "Elizabeth R", de 1971. Talvez isso tenha aumentando suas chances. Glenda não estava na cerimônia do Oscar e o diretor Melvin Frank recebeu o prêmio por ela.

O filme preto e branco na TV, que Glenda e George estão assistindo e chorando, é "Desencanto", de David Lean (1945). Nesse filme, os personagens principais (ambos casados, mas não entre si) estão também tendo um caso. Esse filme de David Lean já foi publicado uma vez em um dos meus canais no YouTube.

Para ver Glenda Jackson e George Segal, clique no link logo abaixo:

https://1drv.ms/v/s!AsG-jsm3UF0agRTpY2XVIp8n9izq?e=Ro4ZjI


quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Jejum de Amor (His Girl Friday), de Howard Hawks (1940)

Cary Grant e Rosalind Russell estrelam essa comédia de Howard Hawks, um remake de "The Front Page". Com roteiro de Charles Lederer e baseado na peça "The Front Page" (A Primeira Página).

Grant faz o papel do editor de jornal, Walter Johnson, e Rosalind é a jornalista Hildy Johnson, a ex-esposa de Walter. Ela está tentando se casar novamente, se mudar de cidade e sair do negócio de jornais, mas Walter não quer saber disso. Ele tenta convencê-la a ajudá-lo em um caso de pena de morte e, para isso, ele se certifica que o noivo dela (Ralph Bellamy) sofra uma série de acidentes - prisão por roubar um relógio, prisão por falsificação, etc. (Foto com os três abaixo:  Ralph Bellamy, Cary Grant e Rosalind Russell). Isso tudo acontece enquanto Hildy entrevista Earl Williams, o homem que vai ser enforcado no dia seguinte. O resto da trama é só assistindo.

Estima-se que a velocidade média de diálogo em cena na maioria dos filmes é de 90 palavras por minuto. Neste filme, foi cronometrado em 240 palavras por minuto. Você tem que prestar atenção nos diálogos, porque são rápidos, mas muito inteligentes.

O tempo de filmagem passou sete dias além do estimado. A demora se deveu à complexidade da filmagem e do diálogo super rápido, que foi cuidadosamente sincronizado com o dia a dia de um jornal e movimentos. A cena do restaurante demorou quatro dias para ser filmada. A programação original era de apenas 2 dias. Para capturar bem o som dos diálogos, o diretor Howard Hawks decidiu usar múltiplos microfones em vez daquele microfone pendurado por cima. O técnico de som teve que instalar até 35 dispositivos em certas cenas.

Rosalind Russell estava insegura durante os primeiros dias de filmagem, sabendo que ele não tinha sido a primeira das escolhas para o papel. E para piorar as coisas, o diretor assistia suas cenas com Cary Grant, sem fazer qualquer comentário. Ela expressou sua frustração com Grant, que a aconselhou. "Se ele não estiver gostando, ele vai te dizer." Quando ela perguntou a Hawks o que ele estava achando do trabalho dela, ele disse. "Continue a levá-lo para todos os lados, do modo que está fazendo." Isso foi suficiente para tranquilizá-la. Foto abaixo tem Rosalind com Cary e o diretor Howard Hawks.  

O título deste filme tem o título alternativo de Uma Secretária Muito Especial. Mas o original "His Girl Friday" é uma alusão ao Sexta-Feira do clássico Robinson Crusoé, de Daniel Defoe. Sexta-feira é um ou neste caso uma assistente que desempenha uma variedade de tarefas.

Na peça, em que o filme foi baseado, o papel de Hildy era feito por um homem. Quando o diretor Hawks planejou adaptar a peça para filme, ele ia escalar um homem. Enquanto estava vendo testes de atores, uma secretária iria ler as linhas do diálogo, que pertenciam a Hildy. Hawks gostou tanto das palavras vindo de uma mulher, que ele decidiu reescrever o script para uma mulher. Na versão de Billy Wilder de 1974, o papel de Hildy é feito por um homem, Jack Lemmon.

Jean Arthur era a primeira escolha para fazer Hildy. Entre outras atrizes que desistiram do papel foram Carole Lombard, Ginger Rogers, Claudette Colbert e Irene Dunne. Howard Hawks queria Carole Lombard para fazer o papel, mas como ela havia saído de um contrato do estúdio e ser freelance, ela seria cara demais.

A produção da Broadway de "The Front Page" (fonte para este filme) estreou no Teatro de Times Square em 14 de agosto de 1929 e teve 276 apresentações.

Segue link do filme abaixo com alta resolução e legendas:

https://1drv.ms/v/s!AsG-jsm3UF0agRMkCw_savpUocP5?e=w6nRgp