segunda-feira, 19 de outubro de 2020

As Oito Vítimas (Kind Hearts and Coronets), de Robert Hamer (1949)

Na prisão, à espera da sua execução na manhã seguinte, Louis, o 10º Duque de Chalfont (Dennis Price) resume os acontecimentos que o levaram a essa situação. Sua mãe havia sido banida da sua família, os D'Ascoynes, depois que ela se casou com o pai de Louis, que era considerado bem abaixo da classe da família. Depois da morte dela, os D'Ascoynes não permitiram que ela fosse enterrada na cripta da família. Louis, então, planeja sua vingança, e mata todos aqueles acima dele na sucessão, até que ele se torne Duque. Ao longo do caminho, ele se envolve com a casada Sibella, que, quando rejeitada, se certifica que ele acabe na prisão. No dia antes da sua execução, Sibella volta atrás com seu testemunho, salvando-o da forca, mas também o libertando. Uma vez fora da prisão, contudo, ele percebe que esqueceu de uma pequena coisa.

Com: Alec Guinness, Dennis Price, Valerie Hobson (Edith), Joan Greenwood (Sibella) e Hugh Griffith (Lord Steward)

Sir Alec Guinness quase se afogou na cena em que o Almirante afunda com seu navio. Guinness foi segurado por cabos, enquanto o set era inundado com água. Depois que a cena foi terminada, a equipe começou a ir embora, até que um técnico de repente percebeu que eles tinham esquecido de liberar Alec dos cabos que o seguravam. Ele imediatamente mergulhou na água com alguns cortadores de cabo e libertou Guinness. Felizmente para todos os envolvidos, Guinness ficou orgulhoso de sua habilidade de segurar a respiração por longo período de tempo.

Inicialmente ofereceram a Alec Guinness fazer quatro dos papeis. Foi ele quem insistiu em fazer os oito. O personagem do pároco era seu favorito. Dali a alguns anos, Guinness seria imortalizado no papel do Padre Brown.

A morte do papel de Agatha no filme causou uma certa preocupação a Alec Guinness. A cena, em questão, que era de um acidente em um balão, filmada nas proximidades dos Estúdios de Pinewood, fez ele perguntar aos produtores se ele tinha seguro de vida. Eles disseram que sim, cerca de 10 mil libras esterlinas, mas Guinness achava que não era suficiente. Ele então declarou que o balão não poderia ser elevado a mais que 15 pés, a menos que eles subissem o seguro para 50 mil libras. O estúdio Ealing Studios, reconhecido por ser pão duro, naturalmente recusou a solicitação de Guinness, informando que ele seria acompanhado por um conhecido balonista belga, oculto na cesta com ele. Guinness teimou em não fazer a cena e tiveram que colocar o balonista fazendo o papel de Guinness, usando o vestido e a peruca. Guinness riu por último, porque um forte vento levou o balão para fora do curso. O balonista belga foi encontrado a quase 60 km de distância, tendo que pular em um rio.

Além dos oito papeis feitos por Guinness, um quadro pode ser visto no castelo do Duque, mostrando um ancestral. Uma pintura para a qual Guinness posou.

A cena em que seis membros da família D'Ascoyne, todos feitos por Guinness, aparecem juntos, levou dois dias para ser  filmada.

Sir Alec Guinness (na imagem ao lado com Dennis Price à sua esquerda) levou muito a sério seus papeis, mas, às vezes, ele se perguntava quem era no momento da cena. Ele disse que tinha visões assustadoras de parecer que é um dos personagens e pensar e falar como um dos outros. Ele tinha apenas 34 anos quando fez esses oito personagens.

O diretor Rober Hamer e Alec Guiness se deram muito bem durante as filmagens e formaram uma amizade que duraria muitos anos. "Robert e eu falávamos a mesma língua e a gente ria das mesmas coisas", disse Guinness em suas memórias de 1985. 

Disseram que Alec Guinness rolou de dar risadas quando  leu o roteiro. Ele estava em férias na época e imediatamente enviou uma mensagem ao seu agente, confirmando que queria participar do filme.

Em 1999, foi ranqueado em 6º lugar dentro da lista dos 100 maiores filmes britânicos do século 20 do British Film Institute,

A música de abertura é baseada na aria "Il mio tesoro" da ópera Don Giovanni de Mozart. Ela aparece várias vezes. Por exemplo, a mãe de Louis toca no piano e seu pai canta perto do começo do filme. Esta era e ainda é uma das arias mais populares para a voz de um tenor.

Filme incluso da lista dos "1001 Filmes que você deve assistir antes de morrer", criada por Steven Schneider.

Vejam o filme aqui neste link:

https://1drv.ms/v/s!AsG-jsm3UF0agQ0FP-2Lq6BK1m6k?e=GPSEI8


domingo, 18 de outubro de 2020

Desejos Proibidos (The Earrings of Madame De...) , de Max Ophuls (1953)

Século 19, na França. Danielle Darrieux é a "Condessa Louise De..." que, no começo do filme, vende seus brincos em formato de coração (dados pelo seu marido, o General André, interpretado por Charles Boyer), porque ela tem algumas dívidas que ela precisa pagar. Ela confia na confidencialidade do joalheiro. Durante uma apresentação de "Orfeu e Eurídice", ela avisa André que ela não sabe onde deixou os brincos. Contudo, o joalheiro conta a André sobre a venda. André compra os brincos de volta e dá à sua amante, Lola. Quando esta precisa de dinheiro para jogar no cassino, ela os vende. E são comprados pelo Barão Donati (Vittorio De Sica), como um presente para sua namorada - a Condessa Louise!

Charles Boyer (na foto com Danielle) frequentemente discutia com Max Ophuls sobre as razões do seu personagem. 

Um dia, o diretor, cheio com as implicâncias de Boyer, disse, "Chega! As razões estão de acordo com o roteiro e ponto final!". 

Boyer, depois dessa, passar a interpretar o seu personagem de acordo com as cenas escritas.

Vittorio De Sica (com Danielle na foto ao lado) era um grande fã de Ophuls e queria ter pego o papel de Jean Gabin em "O Prazer", de 1952. Ophuls, na época, disse que não e que ele acharia um papel digno para ele em outro filme. O papel do barão foi escrito com ele em mente para este filme.

Jean-Pierre Melville frequentava muitas vezes as cenas de filmagem e havia rumores de que ele dirigira algumas cenas extras, durante a cena do baile.

Max Ophuls iria dirigir o filme apenas se Danielle Darriex fizesse o papel, que havia sido escrito com ela em mente. Danielle faleceu em 2017, aos 100 anos de idade.

Os brincos de diamantes mudam de mãos dezoito vezes durante o filme. Siga a trilha: Louise>Joalheiro>André>Sua amante>Um Cassino>Uma loja>Fabrizio Donati>Louise>André>Fabrizio>Joalheiro>André>Louise>André>Sobrinha de Louise>Marido da sobrinha>Joalheiro>Louise>Uma igreja.

O filme originalmente teria um final mais longo, onde se veriam os brincos sendo passados de uma jovem freira para uma jovem mulher, se casando com um general. Isto foi intencionado para criar um novo círculo para o filme, com a jovem mulher representando a próxima Madame de... Contudo, Max Ophuls achou que isso enfraqueceria o filme, quando ele foi terminado e pessoalmente cortou essa cena do final.

O filme teve uma recepção moderada na estreia, onde alguns críticos descreveram o filme como elegante, mas desnecessariamente detalhado e ostentoso. Com os passar dos anos, os críticos reavaliaram o filme e reconheceram como um dos trabalhos mais influentes do cinema internacional  e um dos melhores filmes de Max Ophuls.

Max Ophuls deu o nome de Louise para sua protagonista em homenagem à sua amiga e autora do livro, Louise de Vilmorin.

O famoso diretor Douglas Sirk, conhecido pelos seus melodramas de sucesso, uma vez disse que esse filme era perfeito. 

Era também um dos filmes prediletos de Stanley Kubrick.

Filme consta da lista de Steven Schneider: '1001 Filmes que você deve assistir antes de morrer.'

Veja o filme aqui em alta resolução e legendado:

https://1drv.ms/v/s!AsG-jsm3UF0agQ7_3e0Qz6bjGPQ6?e=43zUl7

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

Quero Viver! I want to live!, de Robert Wise (1958)

Vi este filme quando ainda era adolescente e fiquei impressionado com a interpretação de Susan Hayward. Já havia visto Susan em "David e Betsabá", de 1951.  Não é á toa que ela ganhou o Oscar de Melhor Atriz por este filme de 1958. Na cerimônia do Oscar, esta premiação foi apresentada por Kim Novak e James Cagney. Cagney abriu o envelope e naquela época ainda diziam "O ganhador é..". Depois mudaram para o "O Oscar vai para..." Justamente para tirar aquela ideia de que os demais que disputavam, seriam considerados perdedores. "E a vencedora é Susan Hayward por "Quero Viver!". Houve grande aplauso para Susan. E ela estava competindo com atrizes como Elizabeth Taylor, Rosalind Russell, Deborah Kerr e Shirley Mac Laine, todas com grandes interpretações. Mas Susan realmente mereceu.

Filme baseado na vida de Barbara Graham (a verdadeira Barbara na foto ao lado), cujo julgamento por assassinato e sua controversa execução em 1955, tornou-se uma causa célebre.

A estória é sobre Barbara Graham, uma garota de festas, para usar um eufemismo, e que cometia alguns pequenos crimes, que foi culpada, juntamente com dois homens, em Março de 1953, de ter matado Mabel Monohan, um viúva rica e idosa, que vivia na Califórnia. O filme tem uma ótima fotografia em preto e branco, ótima edição, uma trilha jazzistica e cujo papel principal é de Susan Hayward, que faz uma mulher de cabeça independente, firme, desafiadora, vulnerável e uma boa mãe.

No começo e final do filme, o diretor Robert Wise (o mesmo diretor de "O dia em que a Terra parou", de 1951), é informado que a estória é baseada em fatos. Mas o roteiro nunca se aprofunda nos fatos do assassinato. Não sabemos nada sobre o vítima, seus relacionamentos, a cena do crime ou qualquer outros detalhes importantes relacionados ao caso. Em vez disso, o filme focaliza inteiramente em Graham e entra no caminho de retratá-la como inocente no assassinato de Monohan. Foto ao lado de Susan Hayward em seu julgamento.

O filme, em alguns aspectos é factual e em outros, ficcional. Na realidade, por exemplo, a polícia não capturou Graham e seus dois amigos em uma armazém à noite, como o filme retrata. Eles capturaram os três em um apartamento na hora do dia. O filme omite o vício dela em heroína, a representa com simpatia e como uma vítima do sistema de justiça.

Muitos acreditam que ela era culpada, mas depois de todos esses anos, a verdade sobre o assassinato ainda é nebulosa, obscura.

Curiosidades (IMDb):

O diretor Robert Wise estava determinado em capturar todos os terríveis elementos de uma execução para o clímax do filme. Ele visitou a Prisão de San Quentin e pediu permissão para ver a câmara de gás e testemunhar uma execução real.. Depois que ele viu e fez o diretor de arte fotografar tudo e pegar as medições para replicar no set, ele ainda não ficou com certeza de como ele iria estruturar o último ato. Ele voltou à prisão e fez um pedido final para um relato detalhado de todos os procedimentos da execução. É isso que está documentado no clímax do filme. Foram gastos duas semanas para filmar a sequência da execução.

O assassinato aconteceu em Março de 1953 e a execução em Junho de 1955.

A verdadeira Barbara Graham tinha 31 anos, quando foi executada. Susan era 10 anos mais velha que ela.

Elenco do filme: Susan Hayward, como Barbara Graham; Simon Oakland, como Ed; Theodore Bikel, como Carl; Virginia Vincent, como Peg; Dobbs Green como o guarda da câmara de gás; Raymond Bailey como o Diretor da Prisão; Stafford Repp, como um dos policiais (depois ele faria o famoso Chefe O'Hara da série Batman e Robin) e até Gavin MaLeod, também em uma ponta como policial. Gavin ficaria famoso pelo personagem Murray, de "Mary Tyler Moore".

Trilha de jazz de Johnny Mandel.

Este filme em alta resolução poderá ser visto aqui neste link:

https://1drv.ms/v/s!AsG-jsm3UF0agQype-FPmTO1icHp?e=Z6DDGg


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Loulou, de Maurice Pialat (1980)

O enredo deste filme francês é de uma esposa insatisfeita com seu casamento, que larga o marido por um pequeno rufião.

Embora 'Loulou' seja um filme sobre a gradual desintegração de um casamento, ninguém é crucificado por isso.

Podemos ficar surpresos em saber que dois homens, que tem diferenças sobre a afeição que possuem por uma mulher, acabam se tornando bons amigos.

O filme apresenta uma mulher determinada, que está ciente de suas prioridades na vida. 

Foi por esse desempenho da mulher de temperamento forte como Nelly, deu a Isabelle Huppert (na foto abaixo com Depardieu) sua indicação ao César (o Oscar francês) como melhor atriz em 1981. 

O ator Guy Marchand também foi indicado como melhor ator coadjuvante pela interpretação do marido de Nelly. 

O diretor francês, Maurice Pialat tem controle absoluto pela criação dos personagens fortes deste filme. Esta é a razão pela qual seus protagonistas tem a habilidade de suportar qualquer adversidade com uma calma estóica. 

Este filme é considerado a obra-prima de Pialat, em sua pequena, mas produtiva filmografia. (Crítica de IMDb).

Direção de: Maurice Pialat

Com: Isabelle Huppert (Nelly), Gérard Depardieu (Loulou), Guy Marchand (André)

O filme legendado pode ser encontrado aqui neste link:

https://1drv.ms/v/s!AsG-jsm3UF0agQtewnQr6C8tzIYI?e=hJmuBO


quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Como Fera Encurralada (Classe tous risques), de Claude Sautet (1960)

Filme feito em 1960, no auge do New Wave francês, "Classe Tous Risques", que veio o Brasil com título pouco criativo de "Como Fera Encurralada", poderia ser melhor traduzido como "Cada Classe tem seu Risco". 

Sandra Milo e Jean-Paul Belmondo ainda estão vivos.

É um clássico de gangsters, dirigido por Claude Sautet, adaptado de um tema escrito por Jose Giovanni (não, ele não é brasileiro ou português e sim francês mesmo).

Como muitos outros cineastas que começaram a carreira durante esse período do cinema francês, Sautet e Giovanni, mesmo que eles não pertençam a essa corrente, se tornaram conhecidos como diretores e roteiristas de muitos filmes deste gênero, um gênero que, em alguns anos, iria atrair a atenção de alguns dos cineastas da New Wave, como Melville e Chabrol. 

O filme junta dois atores (Ventura e Belmondo na imagem abaixo), que se especializaram nos papeis de durões em filmes franceses. Lino Ventura já era, bastante conhecido na época, enquanto que Belmondo estava construindo sua carreira velozmente. No ano de 1960, seu nome apareceu nos créditos de nada menos que oito filmes. 

A presença de Ventura e Belmondo, que na tela como na realidade fizeram os papéis de mestre e discípulo, é algo que faz valer a pena assistir esse clássico depois de 60 anos da sua estreia.

O enredo deste filme é sobre o gangster Abel Davos (Lino Ventura), sentenciado à morte e é perseguido por toda a polícia da Europa, cuja esposa é morta quando eles tentam retornar à França. Ele é traído por seus velhos amigos, mas é ajudado por Eric Stark (Belmondo) um jovem gangster iniciante, para quem Davos é uma espécie de modelo moral, principalmente pelo seu respeito aos códigos morais da Máfia. A conexão entre os dois (amizade, mestre-discípulo) é o eixo do filme.

Lino Ventura, nascido em Parma, na Itália, atua maravilhosamente em um tipo de papel em que ele se especializou nesses anos. O cara durão que é sempre perseguido por todos que carregam uma arma e cujas chances de sobrevivência são mínimas. De igual desempenho está Belmondo, que dá um toque positivo ao seu personagem, com a ajuda de Sandra Milo, como a jovem atriz com quem Eric começa um relacionamento, que pode ser sua chance de não repetir o destino de Abel.

Link para o filme legendado em alta resolução:

https://1drv.ms/u/s!AsG-jsm3UF0agQXSEX7ygez1uADp?e=KTeQyt

quarta-feira, 23 de setembro de 2020

O Fino da Vigarice (After the Fox), de Vittoria De Sica (1966)

Peter Sellers é Aldo Vanucci (mais conhecido como o Raposa), um dos maiores criminosos do mundo e mestre em disfarces. Depois que Aldo escapa da prisão, ele se encontra com seus amigos e planeja recuperar o Ouro do Cairo, um grande embarque de barras de ouro que aguarda em um navio para desembarcar na pequena cidade de Sevalia na Itália. Aldo cria um plano em que finge ser um famoso diretor e convence toda a população da cidade para trabalhar no seu filme e ajudar a carregar o ouro do navio. Victor Mature faz um ator já veterano e não querendo mostrar a idade. Seu agente é Martin Balsam que tenta trazê-lo à realidade. Britt Ekland era uma atriz sueca que estava casada com Peter Sellers na época do filme. Lando Buzzanca faz o xerife da cidade. Akim Tamiroff é o ladrão das barras que pede auxílio ao Raposa. Maria Grazia Buccella faz a secretária de Tamiroff e por quem Vanucci se apaixona.

Filme dirigido por Vittorio De Sica, que faz uma ponta no filme.

Roteiro e peça de Neil Simon.

Trilha sonora marcante de Burt Bacharah.

No cena em que os irmãos Gina (Britt) e Vanucci estão brigando em casa, aparece um poster do filme La Pantera Rosa (A Pantera Cor-de-Rosa) e mostra que Peter Sellers é um dos atores.

Lydia Brazzi, que faz o papel da mãe de Peter Sellers, foi escolhida, quando Vittoria De Sica a viu em um restaurante com Rossano Brazzi. Ele implorou a ela para fazer a matrona, não percebendo que ela era, na verdade, a esposa de Brazzi. Ela iria aparecer em apenas três outros filmes.

No começo do filme, no carro que contém as barras de ouro, o passageiro está lendo a edição de 1965 da revista Playboy.

Quando Harry Granoff (Martin Balsam) está tentando fazer um telefonema para Roma, quando ele está bêbado, ele tem problemas de comunicação com a telefonista. Ele finalmente diz à operadora, “Não, não Roma, Rome!”. Seis anos depois, o diretor Federico Fellini (que é parodiado por Peter Sellers neste filme) fez um filme chamado “Roma de Fellini” (1972).

Peter Sellers parece muito à vontade e muito feliz com sua carreira, que estava muito bem na década de 60. Ele na foto ao lado com Maria Grazia.

Dos atores desse filme de 1966, 54 anos depois, ainda estão vivos: Lando Buzzanca, Maria Grazia Buccella e Britt Ekland.

Veja o filme pelo link:

https://1drv.ms/v/s!AsG-jsm3UF0af0-di4_1PDY4AF8?e=LC09R8


domingo, 20 de setembro de 2020

Aventuras do Padre Brown (Father Brown), com Alec Guiness (1954)

Dirigido por Robert Hamer

Com Alec Guiness (Padre Brown), Peter Finch (Gustave Flambeau), Joan Greenwood (Lady Warren), Bernard Lee (Inspetor Valentine) e Cecil Parker (Bispo).

O detetive amador Padre Ignatius Brown desafia seu Bispo e decide transportar a um Congresso Eucarístico em Roma uma relíquia sagrada da sua igreja, uma cruz que uma vez pertenceu a Santo Agostinho, em vez de permitir planos mais elaborados. Há um temor que Gustave Flambeau, um ladrão profissional de objetos de arte possa estar querendo roubar a cruz.

Na viagem de trem, ele suspeita de um companheiro de viagem, um tal de Sr. Dobson, que Brown rapidamente percebe que ele não é um vendedor de carros que ele diz ser. Ele fica amigo de um outro padre, a quem ele confia.

Depois que Flambeau consegue fugir, roubando a cruz, Brown se recusa a trabalhar com a polícia, insistindo que ele quer salvar a alma do ladrão e não o colocar na prisão. Com a ajuda de sua amiga Lady Warren, Padre Brown cria uma armadilha para Flambeau, mas Brown percebe que seu trabalho está apenas começando.

A grande interpretação de Brown por Alec Guiness, com o um jeito meio desligado, inclinado a acidentes, mas afável com todos pode ter sido inspiração para vários papéis de Peter Sellers, inclusive o seu mais famoso, Inspetor Clouseau.

Sir Alec Guiness foi encontrado vestido de padre enquanto caminhava para casa pelo interior da França. Um garoto correu até ele, gritando “Mon père! Mon père” (Meu Padre, Meu Padre). Guiness não falava francês, então ele não poderia corrigir o garoto pelo engano, mas ficou tocado que o garoto o tenha ligado imediatamente à ideia de que ele era um padre. Logo depois que o filme estreou, Guiness se converteu ao Catolicismo.

O Santo Agostinho, referenciado no filme, não é o famoso Santo Agostinho, um bispo e teólogo que viveu no século 4,5 depois de Cristo na província romana da Numídia, na África. O filme se refere ao Santo Agostinho de Canterbury, conhecido como o Apóstolo dos Ingleses. Ele era um abade em Roma e foi comissionado pelo Papa Gregório em 596 A.D. para liderar uma missão para a Inglaterra com seus monges para batizar as tribo anglo-saxões, onde a Igreja tinha perdido espaço muitos anos antes, depois da retirada das legiões romanas da Bretanha. Na primeira tentativa, não conseguiram ultrapassar o canal e Santo Agostinho voltou para Roma. Na segunda tentativa, ele e seus monges finalmente chegaram à Inglaterra em 597 A.D. Santo Agostinho estabeleceu sua missão em Canterbury, Kent, e se tornou o primeiro bispo e o chefe da igreja local.

O filme é baseado em partes no conto “The Blue Cross” do escritor G.K. Chesterton (1874-1936), publicado em 1910.

A parábola sobre a mulher a cebola, que Padre Brown relata a Flambeau é da obra “Os Irmãos Karamazov” de Fiodor Dostoievsky.

Este filme foi postado aqui em agosto de 2012, com a tradução das legendas por mim. Agora estou postando novamente em um novo link para assistir ou download:

https://1drv.ms/v/s!AsG-jsm3UF0aegGo5srVRCOVots?e=o1NC2J



sábado, 19 de setembro de 2020

A Tenda Vermelha (The Red Tent), de Mikhail Kalatozov (1969)

General Umberto Nobile, o comandante de uma fracassada expedição de um dirigível ao Ártico em 1928 relembra os acontecimentos com seu dirigível Itália. O vôo, o desastre e os esforços de busca. Os fantasmas das pessoas envolvidas aparecem como se fosse reais para Nobile em suas lembranças para ajudá-lo a determinar sua culpa no caso. As lembranças são misturadas com a ação real: o vôo do Itália, a operação de resgate do campo aeronáutico de Kings Bay e pelo navio quebra-gelo Krassin. 

Dirigido por Mikhail Kalatozov.

A Tenda Vermelha foi o último filme de Kalatozov. Iria falecer em 1973.

Elenco: Peter Finch (como Umberto Nobile), Sean Connery (como Roald Amundsen), Claudia Cardinale  (como Valéria), Hardy Kruger (Einar Lundborg) e Eduard Martsevich (como Malmgren).

Trilha sonora de Ennio Morricone


A tenda vemelha, título do filme, é por causa da tenda que usaram para os sobreviventes chamarem atenção e aguardarem o resgate.

Perguntado para dar sua avaliação da liderança de Umberto Nobile no desastre do dirigível Itália, seu amigo e colega, Samoilovich, proferiu esta sábia frase, "Os homens são julgados pelas suas ações e suas ações pelo seu sucesso". Quais são exatamente as qualidades necessárias para a liderança? Este filme é uma boa reflexão para esta pergunta. Após o desastre e seu resgate, Nobile foi acusado de abandonar seus homens e acabou se tornando o bode expiatório ou o único culpado pelo governo de Benito Mussolini.

Quarenta anos depois do acontecido, seu descanso ainda é perturbado por dúvidas em sua liderança exercida. A tragédia poderia ter sido evitada? Foi talvez seu excesso de vaidade, que levou à calamidade? Essas e outras questões são levantadas pelo filme.

O filme inteiro, na verdade, acontece na cabeça do general e em seu apartamento. Ele convoca vários participantes do evento, para reviver o que aconteceu e fazerem julgamento dele. O filme é muito interessante nesse aspecto, pois examina a liderança de Nobile sob pontos de vista divergentes, permitindo que o público faça seu próprio julgamento.

Em tempo, chegaremos a aprender que a verdade muitas vezes tem duas pernas e tem um mão direita e uma mão esquerda. "Contudo devemos fazer um julgamento", diz um dos participantes. 

O roteiro é muito bem escrito e as atuações são de alto nível. Sean Connery, já livre da sua imagem de James bond, interpreta Roald Amundsen, o grande explorador do Ártico. É Amundsen que exemplifica as qualidades que um grande líder deve ter. Uma das melhores interpretações de Connery. É um dos participantes que Nobile não gosta de relembrar. Mas  irrompendo nas suas lembranças como uma força da natureza, ele descreve como ele chegou até o desastre do Itália de avião.

O cínico Lundborg zomba desse toque final de Amundsen como 'teatro'. "Mas para que eu eu estaria atuando" Amundsen pergunta. "Para você mesmo", Lundborg responde. "Mas isso não é atuar," Connery responde. Isso era necessário. O truque era escolher o papel certo."

A belíssima Claudia Cardinale é uma enfermeira que oferece uma parte emocional do filme. Ela namora o meteorologista, Finn Malgren. Ela depois confronta Nobile depois que ele é resgatado com segurança, enquanto que os outros foram deixados congelando.

Peter Finch, como Nobile, carrega o filme. Ele consegue passar a inteligência, a coragem, a vaidade e desespero de sua conduta. Ele é um homem que, ao mesmo tempo, admira Amundsen e ressente sempre ser comparado com ele. Hardy Kruger interpreta o aviador Lundborg com um toque de charme e muito cinismo. Ele é o primeiro a chegar aos sobreviventes.

Sir Sean Connery passou três semanas filmando em Moscou, Peter Finch passou nove meses na produção.

O filme foi o primeiro a ser uma co-produção da União Soviética e Itália.

As filmagens duraram 62 semanas. Incluía locações em Estônia, Mar Báltico, e o Arquipélago de Spitzbergen no Oceano Ártico, além dos trabalhos de estúdio em Roma e Moscou.

Foto com o Peter Finch e o general Umberto Nobile.


O filme, baseado em fatos verídicos, narra o desastre envolvendo o famoso aviador Umberto Nobile (1885-1978). Nobile foi considerado culpado por uma série de más decisões, que levou ao desastre do dirigível. Na época do acidente, ele estava tendo problemas para dormir, que pode ter dificultado suas funções cognitivas. Ele estava sem dormir por pelo menos 72 horas antes do momento do acidente.

O desastre ocorreu em Maio de 1928 e causou a morte de 17 pessoas, incluindo alguns que participaram do resgate.

Na época da estreia do filme, em 1969, pelo menos quatro participantes diretos nos acontecimentos estavam vivos: Umberto Nobile, o navegador A. Villieri, o piloto soviético B.G. Chukhnovsky e  o professor F. Begounek. Nobile foi à estreia do filme em Roma em Dezembro de 1969.

Para as filmagens, foi usado um modelo de 20 metros, enchido com hélio e preso ao chão e da água por cabos. O modelo sofreu acidente várias vezes, batendo em vários objetos por causa da ventania.

A versão soviética tem trilha sonora de Aleksandr Zatsepin, enquanto que a versão italiana, tem a trilha de Morricone.

Em 1972, o filme foi indicado para o Globo de Ouro como Melhor Filme Estrangeiro em inglês.

Há muitos textos na Internet, principalmente em inglês, sobre esse desastre. 

Um deles, mas em português, é este que encontrei: http://herdeirodeaecio.blogspot.com/2018/05/o-desastre-do-dirigivel-italia.html


Veja o filme legendado no link abaixo:

https://1drv.ms/u/s!AsG-jsm3UF0ae4jIKi8LcegCBkc?e=lRrBeH


quinta-feira, 17 de setembro de 2020

A Sua Última Façanha (Lonely are the Brave), de David Miller (1962)

Filme dirigido por David Miller, baseado em romance de Edward Abbey, "Lonely are the Brave", é um western que acontece nos tempos modernos (mais especificamente nos anos 60), estrelando Kirk Douglas, Gena Rowlands, George Kennedy e Walter Matthau. Kirk é Jack Burns, um vaqueiro independente do Novo México, que é um simpático solitário. Ele acaba indo para a prisão por ajudar seu velho amigo, Paul (feito por Michael Kane), que deve ir para a penitenciária por alguns anos. Paul não quer fugir, porque isso iria adicionar mais anos para sua pena, se for pego. Assim, Burns foge por conta própria e é perseguido pelo xerife Johnson (Walter Matthau) e outros (George Kennedy entre eles), com a ajuda até de helicóptero. Gena Rowlands vive a esposa de Paul.

A natureza da relação do personagem de Gena com Kirk é inicialmente um mistério, mas tudo é revelado antes do ato final. Se alguém é casado ou não, não quer dizer que ele ou ela não pode amar alguém que seja solteiro ou casado. 

Gena e Kirk na foto abaixo.


Esse western moderno mostra como a civilização, com suas leis intermináveis, espreme a independência e liberdade pessoal. Kirk fez algo parecido em "Homem sem Rumo", Man without a Star em 1955.

O filme é fotografo em belo preto e branco e foi filmado em Albuquerque, Novo México, EUA. O personagem de um braço conta a Burns no bar que ele perdeu o braço em Okinawa, durante a Segunda Guerra. Mas Bill Raisch (que faz o personagem) perdeu seu braço direito em um incêndio a bordo de um navio na Guerra. Raisch mais tarde fez o papel do verdadeiro assassino da série da TV "O Fugitivo" de 1963.

Depois que Kirk Douglas leu o livro "The Brave Cowboy" de Edward Abbey, ele comprou os direitos e deu o projeto ao seu amigo Dalton Trumbo, com que trabalhou em "Spartacus". Douglas disse que o roteiro de Trumbo era perfeito, o melhor que ele já tinha lido e não mudou uma vírgula.

O presidente John Kennedy assistiu o filme na Casa Branca em Novembro de 1962. Em suas memórias, "Conversas com Kennedy", o famoso redator responsável do The Washington Post, Ben Bradlee disse: "Jackie (esposa de John) leu uma lista de opções de filmes disponíveis a escolher e o presidente escolheu aquele que nós todos tínhamos unanimemente sido contra: um brutal  e sádico western, chamado "Lonely are the Brave".

Kirk Douglas reuniu o elenco e equipe de filmagem pela sua produtora, a Joel Productions. Ele também usou Edward Lewis, seu mesmo co-produtor de 'Spartacus'.

O romance de Edward Abbey, de 1956, "The Brave Cowboy", sobre o qual o filme baseado, era situado nos anos 40, na era do alistamento militar, e focava no amigo do herói, um libertário anti-alistamento, que vai para a cadeia por desafiar a lei, que requeria que os homens se alistassem. No roteiro do filme, o 'crime de princípio' do personagem foi mudado  para ajudar imigrantes ilegais.

Há uma ponta do ator Bill Bixby (um dos que estão no helicóptero). Mais tarde faria sucesso como o personagem Hulk em série de TV.

Uma das primeiras trilhas sonoras de Jerry Goldsmith. Ele chegou a gravar a música para duas cenas da égua de Burns, mas acabou sendo deletada do filme final.

O cavalo, ou melhor a égua usada por Kirk Douglas é chamada de Whiskey, que é o nome do cavalo de Cactus Jack no filme estrelado por ele em 1979, "Cactus Jack, o Vilão".

Segundo o próprio Douglas em entrevista, este era seu filme favorito.

Veja link para o filme:

https://1drv.ms/v/s!AsG-jsm3UF0aeFBhjbnXcmQEk-s?e=t6KE6s







A Casa da Colina (Home from the Hill), de Vincente Minnelli (1960)


No Texas dos anos 60, século 20, o latifundiário Robert Mitchum ("Capitão" Wade Hunnicutt) em uma caçada é ferido pelo marido de uma de suas conquistas amorosas. O jovem George Peppard (Raphael "Rafe" Copley) vem para ajudar Wade. Ninguém comenta sobre o fato, mas Rafe é filho ilegítimo de Wade. Este emprega Rafe, mas não o reconhece como filho. O filho legítimo de Wade é o bonitão George Hamilton (como Theron Hunnicutt). Peppard fuma bastante, maneja bem um rifle e faz outras coisas masculinas. E Mitchum deita com mulheres.

Mas o o jovem Theron é conhecido como o filhinho da mamãe. Filho de Eleanor Parker (Hannah). Embora ainda atraente, a Sra. Parker mantém a porta do seu quarto fechada. O filme é feito para o par principal, Robert Mitchum e Eleanor Parker, mas também lida com o amadurecimento do personagem de George Hamilton e como isso afeta os demais do elenco. Hamilton é ensinado a como caçar como um homem pelo 'irmão' Peppard. Depois, ele é encorajado a pedir a bonita Luane Patten (Elizabeth Libby Halstead) para sair.  O diretor Vincente Minnelli maneja com segurança o roteiro, dando vida aos personagens, já que a estória básica do filme já foi contada várias vezes. Minnelli, mais reconhecido por musicais, recebeu indicação no Festival de Cannes.

Direção de Vincente Minnelli.

Com: Robert Mitchum, Eleanor Parker, George Peppard, George Hamilton e Everett Sloane.


O filme era para ter sido feito por Bette Davis e Clark Gable. A ideia foi abandonada, pois o ator não estava mais sob contrato com a MGM (produtora do filme) e ele se recusou a trabalhar com eles novamente, pelo mau tratamento que ele teve quando trabalhou alguns anos antes.

A maior parte das filmagens foi na cidade de Oxford, Massachusetts, perto do campus da Universidade de Mississippi. George Hamilton relembra que o escritor William Faulkner, que era escritor-residente da universidade, costumava subir em uma árvore e ficar lá por várias horas vendo o filme sendo feito.

Filme estreou no prestigioso Radio City Music Hall e foi o filme  de entrada no Festival de Cannes. 


Eleanor Parker ficou descontente que Robert Mitchum estava ganhando $200 mil dólares (US$ 1,700,000.00 nos dias de hoje) e uma percentagem da bilheteria, enquanto que ela estava ganhando só $75 mil (660 mil dólares atualmente). 

Considerando Setembro de 2020, George Hamilton é o único ainda vivo do elenco principal do filme. 

Link para ver o filme:

https://1drv.ms/v/s!AsG-jsm3UF0ad9WSdzT6ZH-yf1w?e=mKqgmn





terça-feira, 15 de setembro de 2020

Woodstock - 3 Dias de Paz, Amor e Música (1970)

Documentário, ganhador do Oscar, sobre o festival de música de 3 dias em 1969.

Apesar de aparecerem mais pessoas do que esperado e havendo falta de comida, água e remédios e ainda chuvas torrenciais do verão americano, tudo correu bem e foi um grande sucesso.

Não houve violências, brigas... apenas pessoas se ajudando. O documentário captura tudo isso. 

Contém entrevistas com jovens que foram ao concerto, com as pessoas da cidade, a polícia e a mídia... todos os pontos de vista expostos.
Tudo que se passa é tolerância, paz e amor.


As bandas são de estilos variados - pode se amar alguns e odiar outros. Como Joan Baez, The Who (que estavam falidos à época e só aceitaram se apresentarem se fossem pagos à vista em dinheiro; Joe Cocker, Crosby Stills & Nash, John Sebastian, Jimmy Henrix e Janis Joplin.

Devido ao completo engarrafamento de carros para chegar ao local, os organizadores tiveram que alugar helicópteros para trazer alguns artistas. Dentre eles, a banda Crosby Stills & Nash quase teve vida curta quando o helicóptero atingiu cabos de alta tensão.

O som é muito bem a edição é bem feita durante as sequências, com o uso de múltiplas telas. 
Tudo na maior informalidade. Até  a diva Janis Joplin.


O documentário tem cerca de 3 horas e quarenta e quatro minutos, com muita música.
Veja o documentário pelo link abaixo.
https://1drv.ms/v/s!AsG-jsm3UF0admPUmtuaBsbleQI?e=YKBHd3





domingo, 13 de setembro de 2020

Caleidoscópio (Kaleidoscope) com Warren Beatty e Susannah York -(1966)

"Kaleidoscope" é uma comédia romântica, que passa com uma brisa. Situada na Londres dos anos 60, o filme foi dirigido por um americano, Jack Smight, que depois iria dirigir um filme da série Aeroporto, "Aeroporto 75" (1974) com Charlton Heston e Karen Black.Também dirigiu "Uma Sombra Passou por Aqui", de 1969.

Warren Beatty faz o papel de um playboy, que cria um plano de ganhar no jogo de cartas, alterando a impressão de cartas na empresa fabricante chamada "Kaleidoscope". Através de óculos especiais, ele consegue saber qual a carta que um jogador está em mãos em cassinos de Londres e na Riviera.

Beatty no papel de Barney, é localizado por Angel McGinnis, a filha de um inspetor da Scotland Yard, Manny McGinnis, à procura de um homem para um trabalho. O inspetor alista Barney para jogar pôquer com um personagem obscuro de Londres, a quem a Scotland Yard quer levar à ruína financeira. 

Sandra Dee foi primeiramente escolhida para o papel feminino, mas foi substituída.
Durante a pré-produção na França, o diretor Jack Smight tinha dúvidas de que ela poderia fazer o papel de uma garota britânica, que o roteiro pedia. Susannah York foi escolhida com a aprovação do produtor Jack Warner. 

O carro de Barney é um Aston Martin DB5 conversível. Somente 1.095 deles foram produzidos, sendo apenas 123 conversíveis. Em 2020, um desses carros poderia ser facilmente valer $1 milhão de dólares ou mais.

Nos créditos de abertura, enquanto toca a bela trilha sonora de Stanley Myers, no momento em que é mostrado o crédito de "Written by" (Roteiro de), ao fundo aparece uma propaganda do filme "Doutot Jivago". Era estrelado por Julie Christie, que companheira de Warren Beatty por um longo tempo.

O filme poderá ser visto por meio deste link:
https://1drv.ms/v/s!AsG-jsm3UF0adTlyhEcQrxAF3DY?e=p2mVlS



sexta-feira, 11 de setembro de 2020

A Um Passo da Liberdade (Le Trou), de Jacques Becker (1960)

Filme dirigido por Jacques Becker, baseado em livro de José Giovanni.

Elenco: Michel Constantin (como Geo) Jean Keraudy (como Roland), Phillipe Leroy (como Manu), Raymond Meunier (como Voissellin) e Marc Michel (como Claude) e Catherine Spaak (como Nicole).

Este filme mostra a estória de um buraco cavado por alguns companheiros de cela em uma prisão de Paris. O roteiro foi adaptado por Jacques Becker de uma estória do cineasta José Giovanni (que parece português, mas é francês). Giovanni também foi um ex-presidiário. Becker prefere contar a estória da maneira mais fácil possível. Sem trilha sonora nenhuma, diálogos precisos e secos, sem muita enrolação. Os presos fazem o seu trabalho, de tentar escapar. O diretor evita clichês, típicos de filmes americanos de prisão, como o de mostrar os guardas como torturadores e sádicos. Eles são duros e diretos, mas eles não sentem ódio pelos prisoneiros. 



Uma ideia brilhante mostrada é como os presos convertem objetos comuns e sucatas de ferro em ferramentas necessárias para a fuga (uma chave, uma lâmpada, uma picareta e uma ampulheta). O pequeno periscópio feito com escova de dente cria uma cena chocante, alguns segundos de grande cinema. Nós acompanhamos o aparentemente sem fim e cansativo trabalho de cavar e costurar. Isso seria normalmente chato para o espectador, mas não é. Como pode não haver um só momento de chatice no filme? É a magia do cinema e o modo como o diretor dirige seu filme, ou melhor, como ele conta toda a estória.



O trabalho da câmera e a fotografia em preto e branco são sensacionais e leva ao espectador as emoções intensas dos personagens.

A edição deste filme, que eu selecionei, está em ótima resolução e poderão ver ao final deste texto o link para o filme.

O diretor preferiu escolher atores novatos para dar mais realidade ao filme. Foi o primeiro filme de Phillipe Leroy (que faz Manu) e de Michel Constantin (que faz Geo). Jean Keraudy (que faz Roland) não era um ator profissional. Ele era, na verdade, um dos presos que cavou o buraco quatorze anos antes. (Pelo menos, isso é declarado por ele mesmo no começo do filme e está ratificado por vários livros sobre o cinema francês).

O diretor Jacques Becker esteve doente nas filmagens e faleceu logo após completar o filme. O filme foi completado de acordo com os desejos do diretor, mas o produtor Serge Silberman reduziu a versão de 140 minutos para 24 minutos menos, para melhorar as possibilidades comerciais do filme.

Segundo materiais de imprensa de 1964, o diretor primeiramente soube da fuga da prisão de La Santé em 1947 em um jornal. Anos depois, ele descobriu que José Giovanni havia escrito um livro de ficção baseado nessa tentativa de fuga em seu livro "The Break" de 1957. Becker entrou em contato com Giovanni e este colaborou no roteiro do filme.

Catherine Spaak, a única personagem feminina, que faz Nicole, conseguiu fazer sucesso após aparecer neste filme e foi vista por Sophia Loren, que a recomendou para o produtor Carlo Ponti.  

Filme está na lista dos "1001 Filmes que você tem que ver antes de morrer", de Steven Schneider.
Filme indicado a 2 BAFTAS.
E faz parte da lista 129 da Criterion Collection, estampa que mostra a qualidade do filme.

Segue link para o filme:
https://1drv.ms/v/s!AsG-jsm3UF0adM6g_iF19O0FKm0?e=cOWi62





quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Guerra e Paz (Voyna i Mir), 1966 - Filme 2 - Natasha Rostova

Em um baile glorioso, ninguém liga para Natasha até que o meigo Pierre encoraja Andrei a dançar com ela e os dois acabam se apaixonando. 

Andrei propõe casamento para a família dela, porém o pai de Rostova pede para eles esperarem um ano, antes de se casarem. 

O príncipe Andrei viaja ao exterior e Rostova espera por ele.  Um ano passa como uma eternidade para a ainda imatura Natasha. 

Ela vai a uma caça de lobos e para uma ópera, onde, com a ajuda de Hélène, ela conhece o jovem Anatol Kuragin (Boris Smirnov). 

Eles se apaixonam e, não percebendo o que pode acontecer, Natasha concorda em fugir com ele. 

Mas ela se arrepende no último minuto no plano de fugir.

Quando Andrei Bolkonsky fica sabendo, ele rompe o noivado e Natasha acredita que sua vida terminou na idade de dezessete.

Pierre Bezukhov declara seu amor por Rostova, enquanto tenta acalmá-la.

Os soviéticos não pouparam recursos para criar a cena do baile e das externas.

Os atores não tem o traquejo que estamos acostumados 

Esta é a versão restaurada da The Criterion Collection, uma enorme de filmes escolhidos separados por várias listas.

Nosso blog e canal do YouTube procura selecionar filmes dentro das listas da The Criterion Collection.

Veja abaixo o link para esta parte, ou segundo filme:
https://1drv.ms/v/s!AsG-jsm3UF0ac71g6TQEFZrGg4g?e=3Web0Y







Como possuir Lissu (Gambit), de Ronald Neame (1966)

Enquanto aguardo passar os três meses que 'ganhei' do YouTube, não estou mais postando no canal do YT e apenas aqui no blog. O YT tem determinadas regras injustas para o youtuber, especialmente em relação a publicação de filmes. Uma delas é você publicar um filme, que o YouTube não bloqueia e informa que não há direitos autorais, mas algum tempo depois, aparece um real detentor do copyright e aciona o YouTube para remover o filme. Em vez de simplesmente remover o file, o YT dá um strike em seu canal. Depois que seu canal tem apenas 3 strikes, seu canal é extinto, removido totalmente, sem choro e nem vela. Já estou com 2 strikes, então qualquer um novo caso aparecer, o YT vai derrubar o canal, não importa se você tem 300, 600 inscritos. Estou, de certa forma, contribuindo com o entretenimento aos usuários do YouTube e não estou ganhando nada com isso. Só depois de 1.000 inscritos é que vc consegue monetizar seu canal.
E para zerar seu strike, demoram-se 3 meses.


Vamos ao primeiro filme hoje.

É "Como Possuir Lissu" (Gambit), do diretor Ronald Neame, de 1966.

Enredo: O ladrão Harry Dean (Caine) precisa de Nicole, uma dançarina de Hong Kong, para ajudá-lo no roubo perfeito.  Com um pouco de maquiagem e outras roupas, Nicole irá se parecer muito com a esposa falecida do magnata Sr. Shahbandar (feito pelo ótimo Herbert Lom). Enquanto Shahbandar estiver distraído pela hipnotizante Nicole, Harry irá executar o roubo de um artefato caríssimo debaixo do nariz do ricaço. Mas até mesmo os planos mais perfeitos  podem dar para trás.

Com: Shirley MacLaine, Michael Caine, Herbert Lom, Roger C. Carmel e Arnold Voss.

Curiosidades (by IMDb)

Shirley MacLaine só começa falar depois de vinte e nove minutos de filme.

O primeiro rascunho de roteiro foi escrito por Bryan Forbes em 1960, quando a estória era feita mirando a presença de Cary Grant. Ele acabou saindo do projeto, que sofreu várias mudanças. Foi decidido que para fazer a garota principal seria Shirley MacLaine. Depois de vê-lo em “Ipcress File” (Ipcress, Arquivo Confidencial), de 1965, ela sugeriu Michael Caine como protagonista.

Gambit ou gambito é uma jogada de xadrez em que você entrega um peão em troca de alguma vantagem posicional no jogo.

A cerca de uma hora e quinze minutos do filme, você poderá ouvir, na cena do restaurante, a música “Strangers in the Night”, uma das minhas preferidas de Frank Sinatra e que havia sido lançada naquele ano, mas em outro filme.

Quando Harry oferece a Nicole o valor de 5,000 dólares para uma proposta, esse valor hoje seria um pouco mais de $40.000 dólares.

Michael Caine e Roger C. Carmel
Roger C. Carmel, o famoso e icônico Mudd da série “Jornada nas Estrelas”, a série clássica, interpreta um dos papeis principais, Ram.
Há outros três atores e uma atriz que também fizeram papéis em Jornada. Um bem fácil de lembrar é John Abbott, que aparece vendo Shirley de binóculo. Os outros dois são Arnold Moss (Abdul), Vic Tayback e Tanya Lemani.

Atrás da mesa de Shahbandar, dá pare ver um pintura de Picasso, o estudo de uma cabeça de um jovem em preto e branco e à direita, um retrato de uma mulher, provavelmente um Renoir.

Filme indicado a três prêmios da Academia e três Globos de Ouro. Melhor atriz, melhor ator, melhor filme, melhor direção de arte, figurino e som.

Trilha sonora de Maurice Jarre.

Veja o filme pelo link abaixo:
https://1drv.ms/v/s!AsG-jsm3UF0acki9BCIsJ0ktcsw?e=AOF2sH

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Um Convidado Bem Trapalhão (The Party), de Blake Edwards (1968)

Esta comédia é clássica e sempre queremos revê-la depois de mais de 50 anos, desde sua estreia. Dizem que é o melhor filme da parceria Blake Edwards/Peter Sellers, até superior à série de filmes da Pantera Cor de Rosa. Prefiro achar que são incomparáveis.

Mas a estória deste filme é muito simples. Por um engano da secretária de um produtos, um ator indiano (Sellers), que recentemente tinha explodido sem querer um cenário de filme, é convidado para uma festa em bairro chique de Hollywood. Fim de estória.


Sr. Hrundi V. Bakshi (o nome do personagem de Peter Sellers) é a pessoa mais gentil e desajeitada que você poderia conhecer. O filme é apenas isso, descrevendo o indiano andar para lá e para cá na festa sem conhecer ninguém, mas ele não liga para isso e tenta fazer amizades.

Podemos ver que Peter Sellers, um ator fantástico, era também um mímico. Ele podia fazer qualquer coisa com as expresões do seu rosto e do seu corpo. Para fazer esse tipo de filme, você tem que ter um diretor paciente e muito inteligente, que conheça todos os truques e deixa os atores desempenhar com total liberdade. Blake Edwards já havia trabalhado com Peter em dois filmes da Pantera e conhecia o jeito de Peter atuar. Trabalhar com Peter Sellers (uma vez  o diretor disse) não era fácil. Ele tinha uma personalidade muito difícil, ora ele era o cara mais engraçado do mundo, ora a pessoa mais insuportável. Mas ele era um gênio.

Roteiro e direção de Blake Edwards.
Cinematografia de Lucien Ballard, conhecido pela sua parceria em filmes de Sam Peckinpah
Trilha sonora do mestre Henry Mancini

Com: Peter Sellers, Claudine Longet, Marge Champion e Steve Franken (o criado bêbado) e Gavin MacLeod (como o diretor assediador Divot), que depois faria sucesso como o Murray, de "Mary Tyler Moore Show".




Curiosidades (by IMDb)

O carro de Bakshi é um modelo Morgan Sports, construído entre 1932 e 1939. Ele tem a direção do lado direito, como todos os carros ingleses.

Na cena do quarto dos filhos, pode ser visto um boneco da Pantera Cor de Rosa em cima de um móvel. Blake Edwards e Peter Sellers já haviam feito dois filmes da série e ainda fariam mais quatro filmes juntos.

A sequência na qual o personagem de Peter Sellers leva vários tiros, mas ainda continua a tocar a corneta para reunir as tropas foi uma sátira de "Gunga Din", de Rudyard Kipling, que foi filmado em 1939.

A cena em que Hrundi sem querer estoura o acampamento foi possivelmente inspirado por uma ocorrência real anos antes (1966), quando estava sendo filmado uma cena famosa de "Três Homens em Conflito". Devido a um mal entendido, uma ponte enorme foi explodida enquanto as câmeras não estavam prontas, que enfureceu o diretor Sergio Leone e tiveram que reconstruí-la.

Filme estreou no mesmo dia em que Martin Luther King foi assassinado.


Isso não está no IMDb, mas na cena em que aparece o filhote de elefante todo pintado, dá para ver na parte fronta da cabeça a frase "The Earth is Flat". Já naquele tempo, havia a concepção conspiratória de que a Terra era plana. ~

Veja o filme legendado (em alta resolução) no link abaixo:
https://1drv.ms/v/s!AsG-jsm3UF0acaFRPx0YUdoOkto?e=s32gOL