domingo, 26 de setembro de 2021

The Molly Maguires (Ver-te-ei no Inferno), de Martin Ritt (1970)

Molly Maguires conta a história sobre a sociedade secreta de mineiros irlandeses na Pensilvânia, por volta de 1876. Eram uma sociedade ativa na Irlanda, Liverpool e Estados Unidos. Os “Mollies” eram conhecidos por se ativismo entre os mineiros de carvão irlandeses americanos na Pensilvânia, que lutavam por melhores condições de trabalho, através de atos terroristas. Eles eram chamados de Molly Maguires porque muitas vezes eles se disfarçavam, vestindo roupas de mulheres, daí o nome. A vida era difícil para os mineiros da Pensilvânia. Os salários eram baixos, péssimas condições de trabalho, havia muitas mortes e acidentes todo o ano.

Os Molly Maguires são liderados por Jack Kehoe (Sean Connery), que, originalmente, não era um mineiro e sim o dono de um bar, The Hibernia House. 

O filme começa com cenas na mina e os ‘mollies’ colocando explosivos no interior dela. As cenas iniciais são todas sem diálogos, começando apenas quando chega ao bar Richard Harris, que é um agente dos detetives da agência Pinkerton, que vai se infiltrar no grupo.

Infelizmente, o filme foi um fracasso comercial, ganhando pouco mais de 10% do orçamento de gastos de US$11 milhões, uma soma enorme para a época e hoje cerca de 60 milhões de dólares. O fracasso do filme solidificou a reputação de Sean Connery de não ter sucesso fora dos filmes de James Bond e torpedeou a chance de Richard Harris de ter um status de super astro. A carreira de Connery continuou mesmo assim e tive um sucesso em 1975 com O Homem que Queria ser Rei (1975)), de John Huston, mas a carreira de Richard Harris entrou em eclipse no meio da mesma década, com exceção de Um Homem Chamado Cavalo e Cromwell, o Homem de Ferro.

De acordo com o famoso cinematógrafo James Wong Howe, o diretor Martin Ritt queria filmar em preto e branco, mas não foi permitido pela Paramount. Em 1970, os estúdios tinham a preocupação de que filmes em preto e branco não ganhariam muito dinheiro quando passados na TV, possivelmente com medo de que fosse considerados filmes velhos.

Dizem que Molly Maguire era realmente uma garota camponesa do século 17 na Irlanda, que liderou uma manifestação contra os cobradores de aluguel. Daí a conexão com o título do filme, pois os mineiros rebeldes se vestiam de mulher.

Richard Harris exigiu que ele aparecesse à frente nos créditos iniciais do filme, enquanto que Sean Connery ficou abaixo. Connery disse que não se importava com isso, dizendo que pelo dinheiro que pagaram a ele pelo filme, eles poderiam colocar até uma mula na frente dele. 

O filme recebeu a indicação ao Oscar de Melhor Direção de Arte, mas não ganhou.

Trilha sonora de Henry Mancini.

Elenco principal: Sean Connery, Richard Harris, Samantha Eggar, Frank Finlay e Anthony Zerbe.

Mais fatos históricos sobre os Molly Maguires podem ser vistos aqui no link em Inglês (não há tradução para o Português desse texto): https://en.wikipedia.org/wiki/Molly_Maguires


Abaixo o link para o filme:

https://1drv.ms/v/s!AsG-jsm3UF0alSEaTKqe9yG7rHkS?e=Z2UwA0

sábado, 25 de setembro de 2021

Mishima: Uma Vida em Quatro Tempos, de Paul Schrader (1985)

Eu sou fiquei conhecendo Mishima, depois que ouvi a brilhante trilha sonora composta por Philip Glass

Com o título original de Mishima: A Life in Four Chapters,  o filme de 1985 dirigido por Paul Schrader e escrito por ele e seu irmão Leonard Schrader é baseado na vida e ficção do autor japonês Yukio Mishima. 

Francis Ford Coppola e George Lucas atuaram como produtores executivos.

O roteiro mescla dados biográficos do escritor japonês Yukio Mishima com trechos narrativos de seus próprios romances e contos.

O filme tem no elenco: Ken Ogata como Yukio Mishima, Kenji Sawada como Osamu, Yasosuke Bando como Mizoguchi e Toshiyuki Nagashima como Isao.

Para estrear o filme em 1985, Schrader precisou de dez anos para poder cumprir o desejo de realizar um filme sobre a vida e a obra de Yukio Mishima, ultrapassando várias dificuldades. A primeira era, desde logo, a dificuldade intrínseca  de um americano querer adaptar ao cinema a biografia de um autor japonês reputado pelo seu antiamericanismo. A segunda era a aquisição dos direitos à viúva de Mishima, a qual sempre se recusara, até então, a fazê-lo.

Para fazer face àquelas dificuldades, Schrader aproveitou o fato de o seu irmão Leonard ser casado com uma japonesa (Chieko Schrader) e deslocou-se até ao país do sol nascente para tentar convencer os japoneses a cederem-lhe os direitos de adaptação ao cinema. Acabou por conseguir esses direitos, com a exceção do romance Cores Interditas, o qual faz diretamente alusão à homossexualidade do escritor. A viúva de Mishima sempre procurou encobrir as tendências sexuais do falecido marido, tentando que esses aspectos da vida privada ficassem ausentes do filme.

O filme organiza-se em quatro capítulos temáticos. Em cada um deles, se desenrola a biografia do escritor com encenações teatralizadas das suas obras. Dá assim corpo ao enigma-Mishima, ao retrato de um homem na fronteira entre a tradição e a modernidade. Uma vida que tem o seu epílogo no dia do discurso ao exército e do suicídio, apogeu dramático do princípio unificador da pena e da espada, mito original perseguido por Mishima e cuja impossibilidade no tempo presente é a matéria íntima da sua morte demencial e espetacular.

Segundo Paul Schrader, só um ocidental poderia ter realizado este filme, pelo motivo que muitos japoneses preferem esquecer que Mishima existiu. Após a sua morte, a extrema-direita japonesa apoderou-se da figura do escritor, fazendo dela o seu herói, o seu símbolo. O próprio governo japonês fez tudo para evitar que o filme se tornasse realidade, alegando que um estrangeiro não pode compreender o espírito nipônico.

Assim, este filme nunca teve uma estreia oficial no Japão, não só devido à controvérsia sobre a própria figura de Mishima, mas também devido a vontade da sua família. Contudo, foi diversas vezes apresentado na TV japonesa (embora com a cena do bar gay cortada) e é permitida legalmente a importação do DVD.

Filme foi indicado à Palma de Ouro em Cannes (1985). Não ganhou a Palma de Ouro, mas Paul Scharder ganhou prêmio de Melhor Contribuição Artística neste Festival.

A trilha sonora de Philip Glass varia de acordo com os diferentes capítulos ou tempos na vida de Mishima.

  • As cenas contemporâneas (de 1970) tem cordas e percussão;
  • As cenas de flashback tem apenas cordas; e
  • As cenas estilizadas de seus livros tem a orquestra completa.
A pintura do livro de arte é uma dos seis quadros de São Sebastião por Guido Reni. Este, em particular, foi pintado por volta de 1614 e está no Museu Capitolino de Roma.

Ao passo que o filme é uma biografia de Yukio Mishima (baseado em sua autobiografia: "Confissões de uma Máscara") ele incorpora elementos de seus livros:

    O Tempo do Pavilhão Dourado (1956): um aspirante coloca fogo em um templo budista, porque ele se sente inferior ante a vista tão magnifíca da sua beleza
    A Casa de Kyoko (1959): um jovem entra em uma relação sadomasoquista com uma mulher mais velha.
    Cavalos em Fuga (1969): um grupo de jovens fanáticos nacionalistas fracassam em derrubar um governo.

A narração do filme é feita pelo ator Roy Scheider.
Fontes: IMDb e Wikipedia

Abaixo o link para o filme:

Coup de Torchon (A Lei de Quem Tem o Poder), de Bertrand Tavernier (1981)

Na África Colonial de 1938, Senegal mais especificamente, Lucien Cordier (Philippe Noiret) é um policial de um vilarejo, habitado na maioria por africanos e por uns poucos brancos europeus racistas e desmiolados.

Lucien é depreciado por todos. Por sua esposa (Stephane Audran), que graceja dele abertamente por coabitar com o 'irmão' dela sob o mesmo teto e por outras pessoas da cidade que o ridicularizam.

Lucien olha de lado quando algo ilegal acontece. Mas, um dia, ele fica cheio das humilhações e começa a se vingar.  O título em francês quer dizer algo como ato de limpeza.

O diretor Bertrand Tavernier transpõe o livro de Jim Thompson (Pop. 1280) ambientado no sul americano (Texas) para a França Colonial na África.

Tavernier disse que o filme é sobre vingança, é claro, mas tem algo mais também. É sobre Deus e o livro arbítrio e tem muitas implicações religiosas e metafísicas. Algumas que ele e o roteirista inventaram e algumas delas existentes no livro.

Isabelle Huppert faz a amante de Lucien. 

Trilha sonora jazzística de Philippe Sarde.

Filme foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro pela França.

Veja abaixo link para o filme:

https://1drv.ms/v/s!AsG-jsm3UF0alQE7yjlBCgR5OuMX?e=htZqBi


sábado, 18 de setembro de 2021

The Man Who Came to Dinner (Satã Janta Conosco), de William Keighley (1942)

O escritor de teatro Moss Hard e George Kaufman criaram uma peça baseada nas personas do dramaturgo Noël Coward, do crítico de cinema Alexander Woollcott e na atriz Gertrude Lawrence. Foi uma peça de sucesso na Broadway.

A personagem de Lorraine Sheldon (Ann Sheridan) foi baseada em Gertrude Lawrence, e o de Beverly Carlton (vivido por Reginald Gardiner) foi baseado em Noël Coward. Bette Davis e Monty Woolley na imagem ao lado em cena de bastidores.

Conta a estória de Sheridan Whiteside (vivido por Monty Woolley), um excêntrico e famoso escritor e radialista e sua secretária Maggie Cutler (Bette Davis), quando chegam à casa de uma conhecida família de Ohio, apenas para um jantar.

Mas tudo muda, quando ele sobe as escadarias da casa e escorrega no gelo fino do inverno e acaba machucando sua perna e quadril, tendo que ficar de cama por um tempo até poder se locomover em cadeira de rodas, conforme receita de seu médico. Isso vai provocar um tumulto geral nos habitantes da casa.

O papel de Bette Davis não era uma parte significativa na peça e foi estendida, obviamente, por causa da atriz, que desejava muito fazer o filme, mas gostaria que tivesse ao lado do lendário John Barrymore como Sheridan. Contudo Barrymore já não conseguia decorar as suas falas, por causa de seu alcoolismo.

O peça foi inspirada pela famosa estada de Alexander Woollcott na casa de campo de Moss Hart na Pensilvânia. A visita de Woollcott foi um pesadelo, tanto para ele como para Hart. O comportamento de Woollcott era insuportável e arrogante. Ele dizia que não iria dormir enquanto não fosse preparado para ele um milkshake e biscoitos de chocolate, exigindo também que todo o aquecimento da casa fosse desligado, se recusando a dormir em qualquer quarto a não ser o do próprio Moss Hart e acusando os criados de serem desonestos.

Mary Wickes (que faz a enfermeira Miss Preen), Ruth Vivian (Harriet Stanley) e Monty Woolley são os únicos no filme que estiveram na peça original da Broadway.

Charles Laughton queria desesperadamente o papel de Sheridan Whiteside. Ele testou para o papel, mas os resultados foram desastrosos. Chateado, Laughton pediu que seu agente convencesse o produtor Hal B. Wallis de lhe dar uma segunda chance. Wallis relembra o caso: "Fiquei emocionado pelo telefonema e dei ao Laughton um outro teste." Mas foi de novo um desastre, pior que o primeiro. Quando ele deixou o estúdio, Charles Laughton estava desconsolado.

Várias referências a pessoas famosas no filme foram atualizadas para o filme. Por exemplo, a cena antes que Whiteside apareça na cadeira de rodas, há o telefonema de Winston Churchill. Na peça era H.G. Wells. 

O salário de Bette Davis foi de US$66,667.00, equivalente em 2021 a aproximadamente US$1,200,000.00. E o de Monte Woolley de $15,000 ou US$276 mil dólares em 2021.

E, para finalizar, eu adorei as gravatas de Sheridan Whiteside.


Abaixo o link para o filme:

Medéia, de Pier Paolo Pasolini (1969)

Parte final do ciclo mítico de Pier Paolo Pasolini, que incluía Édipo Rei (1967), Teorema (1968) e Pocilga (1969). Foto de Pasolini no set de filmagens com Maria Callas.

Como todos os filmes de Pasolini, Medéia pode ser um filme difícil e ele gosta de cenas cruas. Conta a estória de Jasão e sua busca pelo Velocino de Ouro, lã de ouro do carneiro alado Crisómalo de Cólquida, região sul do Cáucaso.

Jasão foi, então, para Argo, uma cidade da península do Peloponeso, para construir seu navio. Lá, ele reúne uma tripulação de heróis para acompanhá-lo, que ficaram conhecidos como os Argonautas.

Conhecendo a sacerdotisa Medéia (veja mais sobre ela aqui: Medeia – Wikipédia, a enciclopédia livre (wikipedia.org)), Jasão se apaixona por ela e a leva para seu lar.

Anos mais tarde, depois que ela dá filhos a ele, ela começa uma terrível vingança, quando Jasão a rejeita por um novo amor.

Foi o único longa metragem feito pela cantora de ópera, a diva Maria Callas. Na época, ela estava desanimada, depois que seu amante de longa data, o magnata Aristóteles Onassis, a tinha deixado por Jacqueline Onassis (Kennedy), quando se casou com ela em 1968.

A última apresentação de Maria Callas em uma ópera completa foi como Tosca, em 5 de Julho de 1965, em Londres. Seu abandono deveu-se em grande parte ao desequilíbrio emocional da cantora, que ao conhecer o magnata grego Aristóteles Onassis, dedicou-se integralmente ao seu amado, afirmando ter começado ali sua vida de verdade. A agressividade e o relacionamento abusivo do magnata com a soprano eram notáveis, como relatado por amigos. Uma famosa frase dita por Onassis a Callas foi: "Você tem apenas um apito na garganta, e ele não funciona mais."

Elenco: Giuseppe Gentile como Jasão, Maria Callas como Medéia, Massimo Girotti como Rei Creso e Laurent Terzieff como Centauro.

Segue link com o filme:

https://1drv.ms/v/s!AsG-jsm3UF0alA9c20WDJU5oSZhN?e=Rae8le

Manhunter (Caçador de Assassinos), de Michael Mann (1986)

O agente do FBI Will Graham (William Petersen, foto ao lado) capturou o diabólico Dr. Hannibal Lecktor (Brian Cox) e quase perdeu a cabeça no processo.

Mas quando ele é chamado de volta da aposentadoria para caçar um psicopata conhecido como Fada do Dente (Tom Noonan), ele deve, mais uma vez, confrontar os horrores de “Hannibal, o Canibal”.

Baseado em livro de Thomas Harris, “Red Dragon”, com roteiro do próprio diretor Michael Mann.

Durante as filmagens deste filme, Anthony Hopkins estava fazendo Rei Lear no teatro National Theatre, em Londres. Durante as filmagens de “O Silêncio dos Inocentes” (1991), Brian Cox fazia Rei Lear no mesmo National Theatre.

O título original do filme era para ser “Red Dragon”, o mesmo do livro. Contudo, quando o filme “O Ano do Dragão” (1985) se tornou um fracasso de bilheteria, o produtor Dino De Laurentiis decidiu evitar o título ‘dragão’. 

Quando a produção não conseguiu permissão para filmar a bordo de um avião comercial, o diretor Michael Mann colocou os atores, atrizes e equipe em um voo noturno de Chicago para Flórida, para onde a produção iria se dirigir para filmar. Uma câmera simplificada, equipamento de som e luz foram levados para bordo em malas pequenas. Os pilotos e comissários de bordo foram agradados com presentes de jaquetas de equipe de filmagem.

Brian Cox disse em uma entrevista que ele baseou sua caracterização do Dr. Hannibal Lecktor no serial killer Peter Manuel.

Este foi o único filme de “Hannibal” onde seu sobrenome é escrito como “Lecktor”, por alguma razão. Nas outras adaptações do livro, é escrito como ‘Lecter’.

A cena, em que Reba McClane (feita por Joan Allen) toca um tigre sedado, é mesmo de um verdadeiro tigre sedado. O veterinário é feito por um veterinário real.

Brian Cox faz Hannibal tão bem quanto Anthony Hopkins, mas não tão carismático. Isso o faz mais realista aqui neste filme em vez de ser um superhomem, como personagem acabou se tornando mais tarde.

Com William Petersen como Will Graham, Kim Griest como Molly, Joan Allen como Reba, Brian Cox como H. Lecktor, Dennis Farina como Jack Crawford, Tom Noonan como Francis Dollarhyde e Stephen Lang como Freddy Lounds.

Trilha sonora de The Reds e Michel Rubini.

Veja o filme no link abaixo:

https://1drv.ms/v/s!AsG-jsm3UF0alA4boWjrdc1wzY_O?e=LsDg2Y

domingo, 12 de setembro de 2021

Villain (O Vilão), com Richard Burton (1971)

Richard Burton era fã dos filmes de gangster de Humphrey Bogart, James Cagney e Edward G. Robinson e ele queria fazer um filme assim. Aproveitou a estada da sua esposa Elizabeth Taylor filmando na Inglaterra e aceitou um papel, que lhe ofereceram.

Burton é o vilão do título. Ele é Vic Dakin. O chefão de um grupo de criminosos do bairro londrino de West End. Burton é galês e se esforça para fazer o sotaque cockney londrino. Os brasileiros não vão perceber a nuance. 

Ele se transforma para o papel. Ele é pura maldade e malícia e tão envolvente como assistir uma serpente.

A ação principal do filme é para um roubo de uma folha de pagamento de uma empresa. O seu planejamento e consequências. Tem muito dinheiro envolvido, mas não é bem o tipo de crime de Vic Dakin. Ele e a sua turma são mais de extorquir dinheiro de comerciantes por proteção.

Para esse caso do roubo, Vic está confiando na discrição de um funcionário de meia idade, que está ressentido com a empresa e que se sente desprestigiado pela esposa e o empregador e ele não tem o menor problema em ajudar Dakin com informação internas.

Burton está fantástico no papel. Há muita tensão e especialmente violência, mesmo no começo do filme, quando ele retalha um membro da sua gangue, que andou abrindo a boca contra ele. Dakin é paranoico de todos, gosta de bater nas pessoas com suas próprias mãos e parece odiar e desconfiar de mulheres ao extremo, com apenas a exceção de sua mãe idosa acamada, para quem ele é muito gentil.

A cena de sexo entre Richard Burton e Ian McShane foi cortada do filme de estreia. Vocês podem ver a cena até o momento em que Burton abre sua camisa e joga McShane na cama.

O personagem de Vic Dakin foi baseado no gangster Ronald Kray.

As cenas nos bares foram filmadas no pub The Assembly House de Londres. Entre as cenas, dizem que Elizabeth Taylor levava canecas de cerveja para o elenco e equipe.

Em 10 de novembro de 1970, em seu 45º aniversário, Richard Burton tirou um dia de folga das filmagens, para pegar sua CBE (medalha de comendador do Império Britânico) no Palácio de Buckingham, acompanhado da sua irmã mais velha, Cicely e de sua esposa, ElizabethTaylor.

Além de Richard Burton como Vic, Ian McShane como Wolfe, Nigel Davenport como o policial Bob Matthews, Fiona Lewis como Venetia, Joss Ackland como Edgar e Elizabeth Knight como Patti.

Filme legendado abaixo com o link:

sábado, 11 de setembro de 2021

Seconds (O Segundo Rosto), de John Frankenheimer (1966)


Assisti esse filme há muitos anos e fui ver por causa do Rock Hudson, de quem fui e sou fã. Procurei o filme novamente e como não consegui postar nos meus canais do YouTube, estou postando aqui no blog.

Um filme além do seu tempo, mesmo filmado em preto e branco. Pode ser o melhor filme feito pelo diretor John Frankenheimer, ajudado pela cinematografia do mestre James Wong Howe. Howe foi indicado ao Oscar pelo seu trabalho. O filme ainda consta com o design gráfico e trilha sonora de ambos dois grandes do cinema: Saul Bass e Jerry Goldsmith, respectivamente. Além de Rock Hudson, grandes atuações de John Randolph, Will Geer, Jeff Corey, Murray Hamilton e Richard Anderson.

O filme chegou a ser vaiado no Festival de Cannes em 1966. Os críticos europeus foram tão hostis em relação ao filme que o diretor John Frankenheimer se recusou a deixar a cidade vizinha de Monte Carlo, onde estava filmando “Grand Prix”, para ir à conferência de imprensa. Em vez disso, mandaram Rock Hudson no lugar, que não foi capaz de responder as perguntas mais importantes durante a entrevista.

O enredo do filme, baseado em livro de David Ely, mostra um banqueiro de meia-idade, Arthur Hamilton (John Randolph), desinteressado na mulher e um trabalho sem futuro. Embora ele tenha muito dinheiro, não tem interesse em gastar em nenhum lugar.

Aí, ele ganha a oportunidade de começar uma vida completamente nova, quando ele recebe telefonemas de seu antigo amigo Charlie. Mas Arthur tinha ouvido falar que Charlie tinha morrido.

Arthur é depois apresentado a uma empresa que vai forjar a sua morte, criar um novo rosto e nova vida para ele. Depois de sofrer uma profunda cirurgia plástica e meses de treinamento e psicoterapia, Arthur volta ao mundo na forma do artista Tony Wilson. Ele tem uma bela casa em Malibu e um criado, um funcionário da empresa que está lá para ajuda-lo em seu ajuste à nova vida.

Wesley Addy faz o criado ou assistente que ajuda Tony Wilson e Salome Jens faz Nora Marcus, a mulher que se interessa por Tony.

Para filmar em público em um grande e movimentado terminal ferroviário, o diretor contratou um modelo masculino e uma coelhinha da Playboy para fazer cena nas escadarias e sendo filmados por uma equipe falsa. A distração permitiu à equipe verdadeira usar uma câmera de dentro de uma maleta.

Inicialmente o diretor estava relutante em chamar Rock Hudson para o papel, que ele achava que seria um ator peso leve e de papeis recentes de comédias, em comparação com um Laurence Olivier ou Kirk Douglas, outros atores que ele queria para o papel. Foi apenas depois que o agente de Hudson convenceu Frankenheimer em uma festa de que Hudson poderia fazer o papel, que ele seguiu com Hudson. Mais tarde, o diretor elogiou muito Hudson pelo papel. Na foto, Hudson com James Wong no centro e Frankenheimer à esquerda.

Foi o primeiro filme do ator John Randolph depois de 15 anos. Ele tinha sido relacionado na lista negra por suas simpatias de esquerda no começo dos anos 50.

As cenas da cirurgia plástica incluem várias de uma rinoplastia verdadeira sendo feita. O diretor fez várias cenas, depois que o cameraman desmaiou.

Rock Hudson ficou bêbado de verdade para a cena em que seu personagem se embebeda em uma festa.

Talvez a explicação de que o filme tenha se tornado um clássico, embora não tenha tido sucesso inicial comercial, possa ser que ninguém estava acostumado em ver Rock Hudson em um papel obscuro e de certo terror.

Segundo o diretor, foi ideia de Hudson ter dois atores diferentes para fazer os papeis de Arthur Hamilton/Tony Wilson, em vez de ser apenas um ator fazendo o papel dos dois com ajustes de maquiagem. O diretor concordou e realmente o efeito criado foi muito melhor.

Como Rock Hudson era quase 13 centímetros mais alto que o seu antigo eu, John Randolph, o ajuste de cena foi feito com uma cuidadosa escolha de ângulos de câmeras. Randolph e Hudson também passaram tempos juntos, antes da filmagem, para que Hudson pudesse copiar os maneirismos de Randolph. E Randolph também teve que treinar sua mão esquerda, porque Hudson era canhoto.

A casa da personagem Nora (Salome Jens) era, na verdade, já alugada e usada pelo próprio John Frankenheimer.

O roteirista Lewis John Carlino ficou chateado com o diretor Frankenhemer, porque ele decidiu apagar uma cena do filme, onde o personagem de Rock Hudson visita a sua filha, que, obviamente, não o reconhece. Carlino achava que a cena era importante para o desenvolvimento da parte final do filme e revelava que a misteriosa e muito discutida última cena do filme, onde o personagem de Hudson é visto à distância, brincando na praia com uma criança (nunca identificada), é tirada dessa sequência. A criança é a neta do personagem de Hudson.

Veja esse clássico pelo link abaixo.

domingo, 5 de setembro de 2021

L"Homme de Rio (O Homem do Rio), de Philippe de Broca (1964)

Adrien Dufourquet, vivido por Jean-Paul Belmondo, é um militar da Força Aérea Francesa, que está de licença de 8 dias. Ele aproveita e vai para Paris visitar sua namorada, Agnès, feita por Françoise Dorléac.

Enquanto isso, um museu é roubado de uma escultura dos povos extintos dos maltecas. O investigador de polícia fica surpreso que o ladrão tenha perdido a oportunidade de roubar outros objetos mais valiosos.

Mas a intenção dos ladrões era roubar apenas essa peça rara, que juntando-se a outras duas, dará a pista de um rico tesouro de diamantes. As outras duas estão no Brasil e uma delas pertencia ao pai de Agnès, e que ele enterrou, antes de morrer, perto da sua residência, na época que moraram no Rio de Janeiro. 

A terceira peça está em poder do brasileiro Mário de Castro, vivido por Adolfo Celi (um ator italiano que atuou com muitos atores brasileiros nessa época, em particular, com Tônia Carrero).

O misterioso ladrão das peças será descoberto mais tarde e será uma surpresa. Além da peça roubada em Paris, Agnès também é sequestrada e levado ao Rio para que ela mostre onde está escondida a segunda peça. 

Adrien vai atrás dela de qualquer forma e consegue embarcar no mesmo avião que ela e os sequestradores. O avião era um da Panair, empresa extinta logo após pela ditadura militar. 

O filme foi muito inspirado pelo cartunista belga, Hergé e suas aventuras de Tintin. A rapidez da estória e certos visuais são claramente inspirados pela obra de Hergé. As aventuras começam em Paris, seguem para o Rio de Janeiro e depois para Brasília, que tinha pouco mais de 3 anos de vida e havia ainda muitos espaços vazios e construções em andamento. Possivelmente, o filme deve ter sido feito um pouco antes da eclosão do golpe militar de 1964.

Em uma entrevista com Steven Spielberg, ele disse que escreveu ao diretor Philippe de Broca, dizendo que ele tinha visto o filme nove vezes. E pode ter sido a inspiração que ele usou no primeiro filme de “Caçadores da Arca Perdida”.

O filme foi a quarta maior bilheteria do ano na França.

Françoise Dorléac faleceu três anos depois deste filme, vítima de uma acidente de carro em Nice, na França.

O avião da Panair foi depois vendido para uma companhia aérea e agora permanece como sucata em Iquitos, Peru.

Além da curiosidade sobre a Panair, ainda aparece no decorrer do filme um ônibus da Breda Turismo levando turistas ao Rio de Janeiro e os vários Aero-Willys usados pelos ladrões.

Elenco principal: Jean-Paul Belmondo como Adrien, Françoise Dorléac como Agnès, Jean Sevais como Catalan, Ubiracy de Oliveira como Winston, o esperto engraxate brasileiro, Adolfo Celi como Mário de Castro e Simone Renant como a cantora do cabaré.

O vídeo, usado aqui para o link abaixo, não é de extrema qualidade e alta resolução e pode congelar por alguns segundos, mas não é algo que atrapalhe o entretenimento.

https://1drv.ms/v/s!AsG-jsm3UF0akV74w8BwaREGMgEp?e=1AdMDd


sábado, 4 de setembro de 2021

Grave of the Fireflies (Túmulo dos Vagalumes), de Isao Takahata (1988)

É uma animação que relata a perda, mágoa e o efeito da guerra (2ª Guerra Mundial) sobre os civis de uma maneira mais eficaz e realista do que muitos filmes sobre o tema.

A estória segue Seita (na voz de Tsutomu Tatsumi) e Setsuko (na voz de Ayano Shiraishi), irmão e irmã que perderam os pais na guerra e agora são forçados a cuidar de si próprios, em um país devastado pela guerra, já em seus últimos momentos.

Como os dois tentam fazer isso e o amadurecimento do garoto para um adulto de certo modo responsável, devido às condições do ambiente, formam a espinha dorsal da animação.

Na Coréia do Sul, a estreia do filme foi adiada indefinidamente por causa da preocupação de que o filme, de alguma maneira, poderia justificar o papel do Japão na Segunda Guerra.

A maioria das ilustrações tem contornos em marrom, em vez do padrão preto. Quando o preto era necessário usar, era apenas quando necessário. A produção do filme disse que era para dar um tom menos carregado. 

Roger Ebert, o conhecido crítico de cinema, considerava ser um dos melhores e mais poderosos filmes de guerra e inclui-o na edição de 2000 da sua lista de “Grandes Filmes”. 

De acordo com o filme, o pai das crianças era um capitão da Marinha Imperial Japonesa, que servia no cruzador Maya e que participou em várias ações na Segunda Guerra. Em outubro de 1944, durante a Batalha do Golfo de Leyte, Maya foi torpedeado por um submarino americano e afundou com a perda de 470 homens, incluindo o capitão. O nome do navio era originado do Monte Maya, uma montanha localizada na cidade de Kobe, onde o filme acontece.

O diretor Isao Takahata negou várias vezes que o filme era um filme contra as guerras. Ele disse que a intenção não era essa e sim que queria passar uma imagem do irmão e irmã vivendo uma vida de fracasso devido ao isolamento da sociedade e, também, invocar a simpatia, particularmente dos adolescentes.

O personagem principal, Seita, olha diretamente para o público por duas vezes. No começo e no final. Isso implica que ele pode, de fato, nos ver e está contando a sua estória.

Veja abaixo o link para o filme: