segunda-feira, 19 de outubro de 2020

As Oito Vítimas (Kind Hearts and Coronets), de Robert Hamer (1949)

Na prisão, à espera da sua execução na manhã seguinte, Louis, o 10º Duque de Chalfont (Dennis Price) resume os acontecimentos que o levaram a essa situação. Sua mãe havia sido banida da sua família, os D'Ascoynes, depois que ela se casou com o pai de Louis, que era considerado bem abaixo da classe da família. Depois da morte dela, os D'Ascoynes não permitiram que ela fosse enterrada na cripta da família. Louis, então, planeja sua vingança, e mata todos aqueles acima dele na sucessão, até que ele se torne Duque. Ao longo do caminho, ele se envolve com a casada Sibella, que, quando rejeitada, se certifica que ele acabe na prisão. No dia antes da sua execução, Sibella volta atrás com seu testemunho, salvando-o da forca, mas também o libertando. Uma vez fora da prisão, contudo, ele percebe que esqueceu de uma pequena coisa.

Com: Alec Guinness, Dennis Price, Valerie Hobson (Edith), Joan Greenwood (Sibella) e Hugh Griffith (Lord Steward)

Sir Alec Guinness quase se afogou na cena em que o Almirante afunda com seu navio. Guinness foi segurado por cabos, enquanto o set era inundado com água. Depois que a cena foi terminada, a equipe começou a ir embora, até que um técnico de repente percebeu que eles tinham esquecido de liberar Alec dos cabos que o seguravam. Ele imediatamente mergulhou na água com alguns cortadores de cabo e libertou Guinness. Felizmente para todos os envolvidos, Guinness ficou orgulhoso de sua habilidade de segurar a respiração por longo período de tempo.

Inicialmente ofereceram a Alec Guinness fazer quatro dos papeis. Foi ele quem insistiu em fazer os oito. O personagem do pároco era seu favorito. Dali a alguns anos, Guinness seria imortalizado no papel do Padre Brown.

A morte do papel de Agatha no filme causou uma certa preocupação a Alec Guinness. A cena, em questão, que era de um acidente em um balão, filmada nas proximidades dos Estúdios de Pinewood, fez ele perguntar aos produtores se ele tinha seguro de vida. Eles disseram que sim, cerca de 10 mil libras esterlinas, mas Guinness achava que não era suficiente. Ele então declarou que o balão não poderia ser elevado a mais que 15 pés, a menos que eles subissem o seguro para 50 mil libras. O estúdio Ealing Studios, reconhecido por ser pão duro, naturalmente recusou a solicitação de Guinness, informando que ele seria acompanhado por um conhecido balonista belga, oculto na cesta com ele. Guinness teimou em não fazer a cena e tiveram que colocar o balonista fazendo o papel de Guinness, usando o vestido e a peruca. Guinness riu por último, porque um forte vento levou o balão para fora do curso. O balonista belga foi encontrado a quase 60 km de distância, tendo que pular em um rio.

Além dos oito papeis feitos por Guinness, um quadro pode ser visto no castelo do Duque, mostrando um ancestral. Uma pintura para a qual Guinness posou.

A cena em que seis membros da família D'Ascoyne, todos feitos por Guinness, aparecem juntos, levou dois dias para ser  filmada.

Sir Alec Guinness (na imagem ao lado com Dennis Price à sua esquerda) levou muito a sério seus papeis, mas, às vezes, ele se perguntava quem era no momento da cena. Ele disse que tinha visões assustadoras de parecer que é um dos personagens e pensar e falar como um dos outros. Ele tinha apenas 34 anos quando fez esses oito personagens.

O diretor Rober Hamer e Alec Guiness se deram muito bem durante as filmagens e formaram uma amizade que duraria muitos anos. "Robert e eu falávamos a mesma língua e a gente ria das mesmas coisas", disse Guinness em suas memórias de 1985. 

Disseram que Alec Guinness rolou de dar risadas quando  leu o roteiro. Ele estava em férias na época e imediatamente enviou uma mensagem ao seu agente, confirmando que queria participar do filme.

Em 1999, foi ranqueado em 6º lugar dentro da lista dos 100 maiores filmes britânicos do século 20 do British Film Institute,

A música de abertura é baseada na aria "Il mio tesoro" da ópera Don Giovanni de Mozart. Ela aparece várias vezes. Por exemplo, a mãe de Louis toca no piano e seu pai canta perto do começo do filme. Esta era e ainda é uma das arias mais populares para a voz de um tenor.

Filme incluso da lista dos "1001 Filmes que você deve assistir antes de morrer", criada por Steven Schneider.

Vejam o filme aqui neste link:

https://1drv.ms/v/s!AsG-jsm3UF0agQ0FP-2Lq6BK1m6k?e=GPSEI8


domingo, 18 de outubro de 2020

Desejos Proibidos (The Earrings of Madame De...) , de Max Ophuls (1953)

Século 19, na França. Danielle Darrieux é a "Condessa Louise De..." que, no começo do filme, vende seus brincos em formato de coração (dados pelo seu marido, o General André, interpretado por Charles Boyer), porque ela tem algumas dívidas que ela precisa pagar. Ela confia na confidencialidade do joalheiro. Durante uma apresentação de "Orfeu e Eurídice", ela avisa André que ela não sabe onde deixou os brincos. Contudo, o joalheiro conta a André sobre a venda. André compra os brincos de volta e dá à sua amante, Lola. Quando esta precisa de dinheiro para jogar no cassino, ela os vende. E são comprados pelo Barão Donati (Vittorio De Sica), como um presente para sua namorada - a Condessa Louise!

Charles Boyer (na foto com Danielle) frequentemente discutia com Max Ophuls sobre as razões do seu personagem. 

Um dia, o diretor, cheio com as implicâncias de Boyer, disse, "Chega! As razões estão de acordo com o roteiro e ponto final!". 

Boyer, depois dessa, passar a interpretar o seu personagem de acordo com as cenas escritas.

Vittorio De Sica (com Danielle na foto ao lado) era um grande fã de Ophuls e queria ter pego o papel de Jean Gabin em "O Prazer", de 1952. Ophuls, na época, disse que não e que ele acharia um papel digno para ele em outro filme. O papel do barão foi escrito com ele em mente para este filme.

Jean-Pierre Melville frequentava muitas vezes as cenas de filmagem e havia rumores de que ele dirigira algumas cenas extras, durante a cena do baile.

Max Ophuls iria dirigir o filme apenas se Danielle Darriex fizesse o papel, que havia sido escrito com ela em mente. Danielle faleceu em 2017, aos 100 anos de idade.

Os brincos de diamantes mudam de mãos dezoito vezes durante o filme. Siga a trilha: Louise>Joalheiro>André>Sua amante>Um Cassino>Uma loja>Fabrizio Donati>Louise>André>Fabrizio>Joalheiro>André>Louise>André>Sobrinha de Louise>Marido da sobrinha>Joalheiro>Louise>Uma igreja.

O filme originalmente teria um final mais longo, onde se veriam os brincos sendo passados de uma jovem freira para uma jovem mulher, se casando com um general. Isto foi intencionado para criar um novo círculo para o filme, com a jovem mulher representando a próxima Madame de... Contudo, Max Ophuls achou que isso enfraqueceria o filme, quando ele foi terminado e pessoalmente cortou essa cena do final.

O filme teve uma recepção moderada na estreia, onde alguns críticos descreveram o filme como elegante, mas desnecessariamente detalhado e ostentoso. Com os passar dos anos, os críticos reavaliaram o filme e reconheceram como um dos trabalhos mais influentes do cinema internacional  e um dos melhores filmes de Max Ophuls.

Max Ophuls deu o nome de Louise para sua protagonista em homenagem à sua amiga e autora do livro, Louise de Vilmorin.

O famoso diretor Douglas Sirk, conhecido pelos seus melodramas de sucesso, uma vez disse que esse filme era perfeito. 

Era também um dos filmes prediletos de Stanley Kubrick.

Filme consta da lista de Steven Schneider: '1001 Filmes que você deve assistir antes de morrer.'

Veja o filme aqui em alta resolução e legendado:

https://1drv.ms/v/s!AsG-jsm3UF0agQ7_3e0Qz6bjGPQ6?e=43zUl7

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

Quero Viver! I want to live!, de Robert Wise (1958)

Vi este filme quando ainda era adolescente e fiquei impressionado com a interpretação de Susan Hayward. Já havia visto Susan em "David e Betsabá", de 1951.  Não é á toa que ela ganhou o Oscar de Melhor Atriz por este filme de 1958. Na cerimônia do Oscar, esta premiação foi apresentada por Kim Novak e James Cagney. Cagney abriu o envelope e naquela época ainda diziam "O ganhador é..". Depois mudaram para o "O Oscar vai para..." Justamente para tirar aquela ideia de que os demais que disputavam, seriam considerados perdedores. "E a vencedora é Susan Hayward por "Quero Viver!". Houve grande aplauso para Susan. E ela estava competindo com atrizes como Elizabeth Taylor, Rosalind Russell, Deborah Kerr e Shirley Mac Laine, todas com grandes interpretações. Mas Susan realmente mereceu.

Filme baseado na vida de Barbara Graham (a verdadeira Barbara na foto ao lado), cujo julgamento por assassinato e sua controversa execução em 1955, tornou-se uma causa célebre.

A estória é sobre Barbara Graham, uma garota de festas, para usar um eufemismo, e que cometia alguns pequenos crimes, que foi culpada, juntamente com dois homens, em Março de 1953, de ter matado Mabel Monohan, um viúva rica e idosa, que vivia na Califórnia. O filme tem uma ótima fotografia em preto e branco, ótima edição, uma trilha jazzistica e cujo papel principal é de Susan Hayward, que faz uma mulher de cabeça independente, firme, desafiadora, vulnerável e uma boa mãe.

No começo e final do filme, o diretor Robert Wise (o mesmo diretor de "O dia em que a Terra parou", de 1951), é informado que a estória é baseada em fatos. Mas o roteiro nunca se aprofunda nos fatos do assassinato. Não sabemos nada sobre o vítima, seus relacionamentos, a cena do crime ou qualquer outros detalhes importantes relacionados ao caso. Em vez disso, o filme focaliza inteiramente em Graham e entra no caminho de retratá-la como inocente no assassinato de Monohan. Foto ao lado de Susan Hayward em seu julgamento.

O filme, em alguns aspectos é factual e em outros, ficcional. Na realidade, por exemplo, a polícia não capturou Graham e seus dois amigos em uma armazém à noite, como o filme retrata. Eles capturaram os três em um apartamento na hora do dia. O filme omite o vício dela em heroína, a representa com simpatia e como uma vítima do sistema de justiça.

Muitos acreditam que ela era culpada, mas depois de todos esses anos, a verdade sobre o assassinato ainda é nebulosa, obscura.

Curiosidades (IMDb):

O diretor Robert Wise estava determinado em capturar todos os terríveis elementos de uma execução para o clímax do filme. Ele visitou a Prisão de San Quentin e pediu permissão para ver a câmara de gás e testemunhar uma execução real.. Depois que ele viu e fez o diretor de arte fotografar tudo e pegar as medições para replicar no set, ele ainda não ficou com certeza de como ele iria estruturar o último ato. Ele voltou à prisão e fez um pedido final para um relato detalhado de todos os procedimentos da execução. É isso que está documentado no clímax do filme. Foram gastos duas semanas para filmar a sequência da execução.

O assassinato aconteceu em Março de 1953 e a execução em Junho de 1955.

A verdadeira Barbara Graham tinha 31 anos, quando foi executada. Susan era 10 anos mais velha que ela.

Elenco do filme: Susan Hayward, como Barbara Graham; Simon Oakland, como Ed; Theodore Bikel, como Carl; Virginia Vincent, como Peg; Dobbs Green como o guarda da câmara de gás; Raymond Bailey como o Diretor da Prisão; Stafford Repp, como um dos policiais (depois ele faria o famoso Chefe O'Hara da série Batman e Robin) e até Gavin MaLeod, também em uma ponta como policial. Gavin ficaria famoso pelo personagem Murray, de "Mary Tyler Moore".

Trilha de jazz de Johnny Mandel.

Este filme em alta resolução poderá ser visto aqui neste link:

https://1drv.ms/v/s!AsG-jsm3UF0agQype-FPmTO1icHp?e=Z6DDGg


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Loulou, de Maurice Pialat (1980)

O enredo deste filme francês é de uma esposa insatisfeita com seu casamento, que larga o marido por um pequeno rufião.

Embora 'Loulou' seja um filme sobre a gradual desintegração de um casamento, ninguém é crucificado por isso.

Podemos ficar surpresos em saber que dois homens, que tem diferenças sobre a afeição que possuem por uma mulher, acabam se tornando bons amigos.

O filme apresenta uma mulher determinada, que está ciente de suas prioridades na vida. 

Foi por esse desempenho da mulher de temperamento forte como Nelly, deu a Isabelle Huppert (na foto abaixo com Depardieu) sua indicação ao César (o Oscar francês) como melhor atriz em 1981. 

O ator Guy Marchand também foi indicado como melhor ator coadjuvante pela interpretação do marido de Nelly. 

O diretor francês, Maurice Pialat tem controle absoluto pela criação dos personagens fortes deste filme. Esta é a razão pela qual seus protagonistas tem a habilidade de suportar qualquer adversidade com uma calma estóica. 

Este filme é considerado a obra-prima de Pialat, em sua pequena, mas produtiva filmografia. (Crítica de IMDb).

Direção de: Maurice Pialat

Com: Isabelle Huppert (Nelly), Gérard Depardieu (Loulou), Guy Marchand (André)

O filme legendado pode ser encontrado aqui neste link:

https://1drv.ms/v/s!AsG-jsm3UF0agQtewnQr6C8tzIYI?e=hJmuBO