sábado, 25 de setembro de 2021

Mishima: Uma Vida em Quatro Tempos, de Paul Schrader (1985)

Eu sou fiquei conhecendo Mishima, depois que ouvi a brilhante trilha sonora composta por Philip Glass

Com o título original de Mishima: A Life in Four Chapters,  o filme de 1985 dirigido por Paul Schrader e escrito por ele e seu irmão Leonard Schrader é baseado na vida e ficção do autor japonês Yukio Mishima. 

Francis Ford Coppola e George Lucas atuaram como produtores executivos.

O roteiro mescla dados biográficos do escritor japonês Yukio Mishima com trechos narrativos de seus próprios romances e contos.

O filme tem no elenco: Ken Ogata como Yukio Mishima, Kenji Sawada como Osamu, Yasosuke Bando como Mizoguchi e Toshiyuki Nagashima como Isao.

Para estrear o filme em 1985, Schrader precisou de dez anos para poder cumprir o desejo de realizar um filme sobre a vida e a obra de Yukio Mishima, ultrapassando várias dificuldades. A primeira era, desde logo, a dificuldade intrínseca  de um americano querer adaptar ao cinema a biografia de um autor japonês reputado pelo seu antiamericanismo. A segunda era a aquisição dos direitos à viúva de Mishima, a qual sempre se recusara, até então, a fazê-lo.

Para fazer face àquelas dificuldades, Schrader aproveitou o fato de o seu irmão Leonard ser casado com uma japonesa (Chieko Schrader) e deslocou-se até ao país do sol nascente para tentar convencer os japoneses a cederem-lhe os direitos de adaptação ao cinema. Acabou por conseguir esses direitos, com a exceção do romance Cores Interditas, o qual faz diretamente alusão à homossexualidade do escritor. A viúva de Mishima sempre procurou encobrir as tendências sexuais do falecido marido, tentando que esses aspectos da vida privada ficassem ausentes do filme.

O filme organiza-se em quatro capítulos temáticos. Em cada um deles, se desenrola a biografia do escritor com encenações teatralizadas das suas obras. Dá assim corpo ao enigma-Mishima, ao retrato de um homem na fronteira entre a tradição e a modernidade. Uma vida que tem o seu epílogo no dia do discurso ao exército e do suicídio, apogeu dramático do princípio unificador da pena e da espada, mito original perseguido por Mishima e cuja impossibilidade no tempo presente é a matéria íntima da sua morte demencial e espetacular.

Segundo Paul Schrader, só um ocidental poderia ter realizado este filme, pelo motivo que muitos japoneses preferem esquecer que Mishima existiu. Após a sua morte, a extrema-direita japonesa apoderou-se da figura do escritor, fazendo dela o seu herói, o seu símbolo. O próprio governo japonês fez tudo para evitar que o filme se tornasse realidade, alegando que um estrangeiro não pode compreender o espírito nipônico.

Assim, este filme nunca teve uma estreia oficial no Japão, não só devido à controvérsia sobre a própria figura de Mishima, mas também devido a vontade da sua família. Contudo, foi diversas vezes apresentado na TV japonesa (embora com a cena do bar gay cortada) e é permitida legalmente a importação do DVD.

Filme foi indicado à Palma de Ouro em Cannes (1985). Não ganhou a Palma de Ouro, mas Paul Scharder ganhou prêmio de Melhor Contribuição Artística neste Festival.

A trilha sonora de Philip Glass varia de acordo com os diferentes capítulos ou tempos na vida de Mishima.

  • As cenas contemporâneas (de 1970) tem cordas e percussão;
  • As cenas de flashback tem apenas cordas; e
  • As cenas estilizadas de seus livros tem a orquestra completa.
A pintura do livro de arte é uma dos seis quadros de São Sebastião por Guido Reni. Este, em particular, foi pintado por volta de 1614 e está no Museu Capitolino de Roma.

Ao passo que o filme é uma biografia de Yukio Mishima (baseado em sua autobiografia: "Confissões de uma Máscara") ele incorpora elementos de seus livros:

    O Tempo do Pavilhão Dourado (1956): um aspirante coloca fogo em um templo budista, porque ele se sente inferior ante a vista tão magnifíca da sua beleza
    A Casa de Kyoko (1959): um jovem entra em uma relação sadomasoquista com uma mulher mais velha.
    Cavalos em Fuga (1969): um grupo de jovens fanáticos nacionalistas fracassam em derrubar um governo.

A narração do filme é feita pelo ator Roy Scheider.
Fontes: IMDb e Wikipedia

Abaixo o link para o filme:

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