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Saturday, February 27, 2021

O Círculo Vermelho (Le Cercle Rouge), de Jean-Pierre Melville (1970)


Um dia antes de sua libertação da prisão, após cinco anos de sentença, o ladrão Corey (Alain Delon) é contatado por um dos guardas da prisão, oferecendo a ele um serviço de roubo de joias. Contudo, Corey vai procurar seu ex-chefe Rico (André Ekyan) e rouba dinheiro dele. Rico envia dois gangsters para caçar Corey e recuperar o dinheiro. Enquanto isso, o criminoso Vogel (Gian-Maria Volontè) é transportado de trem pelo policial Mattei (André Bourvil), mas consegue escapar. Corey dirige de Marselha a Paris e Vogel se esconde no porta-malas do carro. Corey se encontra com ele, mas não reclama de ter de levar Vogel a Paris, escondido no carro. Quando os gangsters chegam perto do carro de Corey, Vogel o salva dos criminosos, mas Corey perde o dinheiro. Sem dinheiro, Corey decide fazer o roubo das joias com Vogel e convida o ex-investigador de polícia Jansen (Yves Montand) para se juntar a eles. O trio faz um roubo perfeito, mas Rico procura vingança e Mattei, que não é um policial ético, mas é eficiente e usa quaisquer meios para resolver o caso.

O Círculo Vermelho é um dos grandes filmes do diretor Jean-Pierre Melville, que costuma dirigir seus filmes com chapéu de cowboy e óculos Ray-Ban.

O elenco é ótimo, com Alain Delon (ator constante em filmes de Melville), Gian-Maria Volontè e Yves Montand, além de Bourvil.

A sequência do roubo dura exatamente 27 minutos e não há diálogo algum.

Os créditos iniciais mostram uma citação, que explica o título do filme. A citação, creditada a Buda, foi na verdade escrita pelo diretor Jean-Pierre Melville.

O Ford Mustang verde do diretor pode ser visto na fila de carros quando Corey passa pela primeira passagem de fronteira.

Houve, desde o começo do filme, muita tensão entre o diretor Melville e o ator italiano Gian Maria Volontè, que faz o papel de Vogel, um papel que estava escrito originalmente paa Jean-Paul Belmondo). Volontè não gostava das afetações e perfeccionismo do diretor, tanto que o ator deixou as filmagens por dois dias e foi convencido a voltar por Alain Delon. Foi apenas mais de vinte anos, já depois da morte do diretor, que o Volontè veio avaliar Melville como um grande cineasta.


Peço a todos que contribuam com esse blog>

Link para o filme legendado em Português:

https://1drv.ms/u/s!AsG-jsm3UF0agTSl6XYl-nPXveDX?e=yZR8vI


Friday, February 19, 2021

Cristo Parou em Éboli (Cristo si è fermato a Eboli), de Francesco Rosi (1979)

O filme mostra a vida rural de um intelectual urbano, doutor, pintor e ativista político, que foi exilado para essa área remota devido às suas diferenças políticas durante o regime fascista na Itália. O filme leva o público a contemplar sobre os aspectos filosóficos do conceito do tempo e, também, mostra os problemas sociais e políticos.

O diretor Rosi descreve a vida simples dos agricultores nessa terra remota e isolada, a ignorância deles e a ausência de vontade política, o profundo abismo entre as pessoas e o estado e a irrelevância das vitórias quase cômicas do Duce para essas pessoas, entre muitos outros assuntos sociais e políticos. 

No filme, a vida do camponês e a vida urbana são representadas como duas civilizações estrangeiras e antítese uma da outra. Os camponeses têm sua vida própria, seus costumes, aspirações próprias. O que acontece em Roma ou na guerra contra a Etiópia, para retomar a glória de Roma não interessa a eles.

‘Cristo parou em Éboli’ também leva o público a ponderar sobre o significado filosófico da história, sua relevância e natureza. Descreve a vida do camponês como ‘congelada na história’, alienada da vida exterior e não compreendendo o tempo como nós, urbanos. A História, como a entendemos, é a história da “civilização urbana”. Como os camponeses são alienados a essa civilização, eles também são alienados a esse conceito de tempo. Nos vilarejos, vocês para de contar os dias, horas se tornam mais irrelevantes e você baseia sua vida no ciclo natural das estações. Neste sentido, o filme desafia nossa noção de história, que é a história da ‘cidade’.

Com Gian Maria Volontè, Paolo Bonacelli, Lea Massari e Irene Papas.

Trilha sonora de Piero Piccioni

Link para o filme legendado em Inglês apenas. A legenda em Português, que existe, está muito dessincronizada.


Sunday, May 24, 2020

Sacco & Vanzetti, de Giuliano Montaldo (1971)

Filme dirigido por Giuliano Montaldo, ainda vivo com 90 anos, que também é co-roteirista. Em 1973 fez com Gian Maria Volontè , 'Giordano Bruno'. No começo da década de 80, Montaldo fez a célebre minissérie 'Marco Polo'.

Sacco & Vanzetti narra a história de dois arnaquistas italianos, em 1920, os imigrantes nos Estados Unidos  Nicola Sacco (Riccardo Cucciolla) e Bartolomeo Vanzetti (Gian Maria Volontè) que são sentenciados à morte, falsamente acusados de roubo e assassinato. Na verdade, eles foram condenados por suas crenças políticas, em um dos mais vergonhosos e hipócritas julgamentos da história humana.


Riccardo Cucciolla e Gian-Maria Volontè
Giuliano Montaldo declarou, em uma entrevista recente, que a primeira cena do monólogo de Gian Maria Volontè foi cortada, embora estivesse perfeita. É que um dos atores figurantes na cena começou a chorar pela cena tocante feita por Gian Maria.

O produtor Dino De Laurentiis tentou criar uma versão no começo da década de 60 com o diretor Richard Fleischer, depois que eles trabalharam juntos em "Barrabás" (1961). O projeto acabou não se materializando e Fleischer processou De Laurentiis pela perda de rendimentos.  Eles iriam esquecer essa rusga e Fleischer iria fazer novos filmes com De Laurentiis, entre eles, "Amityville 3: O Demônio" (1983) e "Guerreiros de Fogo" (1985).

Parte dos produtores, que eram franceses, queriam desesperadamente que Yves Montand fizesse o papel de Ricardo Sacco, de acordo com o diretor Giuliano Montaldo.

Trilha sonora feita por Ennio Morricone. Duas canções foram co-escritas e interpretadas por Joan Baez.

Filme indicado ao Cannes. Ricardo Cucciolla ganhou por Melhor ator.

Link do filme completo legendado em alta resolução abaixo:
https://odobagg-my.sharepoint.com/:v:/g/personal/moegtufwc_od_obagg_com/EQtX0Wd12fxGm7li1Ldz7PgBcl3_GW5e_IY7vHyU6lHftg?e=vCCGu1

Shooting Gallery - Céllövölde - (1990)

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