quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

"Babylon Berlin" : Como essa série alemã pode mudar a TV na Europa


"Parece que estamos vivendo em um período de pré-guerra," diz Henk Handloegten, diretor desse ambicioso drama, mostrando como estava a situação conturbada da Alemanha, antes da 2ª Guerra Mundial.

O mundo está pronto para Babylon Berlin?

A série de TV alemã, um drama envolvendo um crime, situado na Berlin do pré-guerra, é muito ambiciosa. Com um orçamento de $45 milhões, co--escrita e dirigida por Tom Tykwer (diretor de "Corra, Lola, Corra" e "Perfume: a História de um Assassino"), Achim von Borries e Henk Handloegten, a série pode se declarar como a série mais cara (de língua não inglesa) já feita para a TV. Se ela der certo, pode mudar como a Europa faz TV hoje em dia.

"Isso nunca foi feito antes," disse o produtor Jan Mojto, cuja produtora é uma das que está financiando Babylon Berlin com a rede pública alemã ARD e a a privada TV Group Sky e que está vendendo a série para o mundo todo."É um novo modelo de se criar televisão...mas é apenas um modelo, porque coisas medíocres e comuns não têm chance nesse mercado."

Comum é algo que Babylon Berlin certamente não é. Baseada na série de livros do escritor alemão Volker Kutscher, é uma estória sobre um crime com toques de Raymont Chandler, sobre um detetive alemão, Gereon Rath (interpretado por Volker Bruch), que é enviado a Berlim para investigar uma rede de pornografia, comandada pela Máfia russa. Tudo isso com o pano de fundo da Alemanha em 1929, com todos os seus problemas sociais e políticos, que iriam levar mais tarde à subida de Hitler ao poder.

"O truque é tentar criar um ambiente em que as pessoas na época não sabiam o que iria acontecer," diz Tykwer. "Ninguém em 1929 poderia ter imaginado o que a Alemanha iria se tornar."

Os paralelos para o mundo atual - a crise financeira e a ascensão de Donald Trump, assim como a dos partidos de direita por toda a Europa - são óbvios, mas, de acordo com os diretores, não são propositais.

"Nós começamos a trabalhar nessa série em 2013 e desta data em diante, o mundo começou a ficar parecido com o final dos anos 20," afirma Handloegten. "Nós tínhamos o paralelo entre a crise da bolsa de 1929 e a crise de 2009. Houve a crise do Euro, o aumento no populismo, o anseio por soluções simples e de um homem forte para assumir o comando. O mundo parecia estar acompanhando os nossos roteiros."

A ascensão dos nazistas, a devastação da 2ª Guerra já foi bastante mostrada em filmes e na TV.  Pouco se viu do período anterior, quando a democracia, na forma da idealista e cheia de erros da República de Weimar, ainda estava recente na Alemanha e o país em meio a uma revolução social, política e cultural.

"Os anos 20 foram tempos loucos, a sociedade não era conservadora e cuidadosa, mas sim experimental," diz von Borries. "Berlim era uma capital internacional, cosmopolita, atraindo jovens e artistas de todo o mundo, muito de como é hoje. Eles todos caminhavam juntos nas ruas de Berlim: comunistas, nazistas, feministas e homossexuais."

Essa enorme mistura de coisas novas e experimentais é o pano de fundo para Babylon Berlin, que segundo Tykwer, utilizou os romances de Kutscher como um ponto de partida para explorar o mundo da Berlim dos anos 20.

Fazer uma série como essa na Alemanha - os diretores frequentemente trabalhavam com 2 ou 3 unidades em paralelo - teria sido impossível há alguns anos. Um dos produtores executivos admite que, quando ouviu o projeto pela primeira vez, ele sabia que seria grande demais para apenas um canal alemão ser responsável.

Eles sabiam que a visão que Tom Tykwer tinha para a série seria muito, muito cara. Não conseguiriam fazer sozinhos. O que fez possível, foi a união de vários parceiros.

Pela qualidade do diretor e pelo investimento feito, podemos esperar uma excelente série, mesmo que seja falada em alemão, algo que costuma afastar o público tradicional.



Fonte: THR


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