sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Como os Produtores de "Silêncio" conseguir levar o projeto de Martin Scorsese adiante

Esq>>Direita: Emma, Scorsese, Wrinkler e Emmett

Depois de uma exibição de "A Última Tentação de Cristo" em 1988, o arcebispo Paul Moore, Jr. da cidade de Nova York enviou uma cópia do livro de Shûsaku Endô para Martin Scorsese. O romance era sobre dois jesuítas portugueses que viajam para o Japão em 1639, a fim de encontrar o mentor deles, que supostamente havia cometido apostasia, e acabam sofrendo perseguições. Scorsese ficou impressionado com o tema do sacrifício contido no livro e como ele mexia com a essência do Cristianismo. Tentar produzir o filme provou ser um grande luta que durou quase três décadas. Neste texto, os produtores contam que as monções de Taiwan não foram necessariamente a parte mais complicada desta produção de 40 milhões de dólares.

Emma Tilinger Koskoff: "Silêncio" passou por vários financiadores nesses anos, mudando de mãos em muitas brigas jurídicas. Vittorio Cecchi Gori foi um dos primeiros a querer investir no filme. Nós passamos vários níveis de orçamentos de custos e não seria feito a menos que o orçamento fizesse sentido. Marty, em certa ocasião, declarou. "Olha, me digam quando dinheiro eu vou ter e eu farei por esse preço." Graham King ficou com o filme por um longo tempo e gastou muito dinheiro nele. Ele entrou em acordo conosco para comprar os direitos do filme por um preço justo.

Irwin Winkler: Eu estava uma vez visitando o set de "A Invenção de Hugo Cabret" e aí perguntei ao Martin o que tinha acontecido com "Silêncio", uma adaptação em que ele estava trabalhando com Jay Cocks (roteirista). Ele disse, "Ainda estou com ela, por que não fazemos o filme juntos?" Os principais, incluindo eu, Emma, Marty e os atores deveriam deixar os nossos valores e custos de lado por enquanto. Era a única maneira de levarmos isso para frente.
Nosso objetivo primordial era encontrar um lugar onde poderíamos filmar, que tivesse possibilidade de financiamento. Consideramos Vancouver, mas seria caro demais trazer os atores e elenco do Japão. Taiwan acabou sendo uma grande escolha. O custos trabalhistas eram razoáveis e próximos dos países ocidentais - e certamente comparáveis ao Japão - e havia uma equipe local que era muito capacitada.

Randall Emmett: Quase quatro anos atrás, eu recebi um telefonema do meu agente, Ari Emanuel, e ele me perguntou se eu tinha interesse em fazer um filme de Martin Scorsese. Ao ouvir isso, eu fiquei igual a um garoto de frente para uma longe de doces.
Assim, o trabalho começou. Logo, eu falei com Emma sobre o orçamento que poderíamos levantar. 
Depois de seis meses, Ari me chama de novo e diz que eles iriam reduzir o orçamento. Eu voei para Nova York  e tive uma reunião rápida com Irwin, com quem trabalhei em "A Volta dos Bravos". Ele me levou para o andar de cima da casa dele, onde já estavam Emma e Marty. Eu implorei para fazer o que quer que fosse para ser o produtor e trabalhar ao lado deles.
Eu não sabia aonde estava entrando ao certo, e como os direitos de filmagem estavam complicados. Eu trabalhei com Emma e Irwin e demorou um ano para desvencilhar a questão dos direitos e retornarmos com Cecchi Gori e Graham King.
Eu disse para Marty e Rick Yorn (produtor) que  tínhamos que ir a Cannes. Marty precisava ir e vender o filme. Tendo Marty em Cannes e conversando juntos com os potenciais compradores, se tornaria um projeto mais real para eles. Marty ficou entusiasmado. Vendemos os direitos no mercado aberto e levantamos 21 milhões de dólares no exterior antes que fosse para Cannes. Contratamos Stuart Ford para ser nosso agente e não tínhamos um elenco e um distribuidor naquele momento.
Gastamos um tonelada de tempo discutindo o orçamento, eu, Emma e um produtor executivo de nosso escritório. Nós sabíamos que iria ser filmado em Taiwan. A produção durou cerca de 4 meses, com 3 meses de pré-produção.
Depois dos problemas que Martin teve com certos grupos cristãos, depois do seu filme "A Última Tentação de Cristo", agora haveria uma sensação de alívio com a conexão que existiria agora em "Silêncio".


Martin Scorsese e Andrew Garfield

Emma Tilinger Koskoff: Passamos o filme para vários jesuítas em Roma e eles ficaram emocionados. Marty também teve um encontro particular com o Papa Francisco. Gostaríamos de ter boas reações da igreja. Padre James Martin nos ajudou com tudo, desde ensinar Andrew Garfield com os exercícios espirituais dos jesuítas, para termos certeza que as missas seriam feitas corretamente. Marty assina a revista católica America (
www.americamagazine.org) e ele achou que o editor dela, Padre James Martin, seria uma ótima ajuda como consultor, baseado nos artigos que ele escrevia.

Qual foi o filme mais desafiador para Martin Scorsese fazer?

Winkler: "Touro Indomável". A produtora United Artists odiou o filme. Em uma reunião com Marty, eu e Robert De Niro, os dois chefes da UA na época, disseram a Roberto que eles não fariam um filme sobre um desprezível como Jake LaMotta.
Contudo, conseguimos que o filme fosse feito. Eles estavam loucos à procura de outro "Rocky, o Lutador". E perguntamos para eles: "Por que faríamos um outro filme com vocês se vocês não fizerem este?"
Os aspectos físicos deste filme são definitivamente mais desafiadores do que "Touro Indomável" e "Os Bons Companheiros". Tivemos que reinventar o Japão de 1640, muito mais complicado que o bairro de East Side de Nova York, onde esses dois últimos filmes de Scorsese aconteceram.


Fonte: Deadline

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