domingo, 18 de dezembro de 2016

A Ressurreição de Peter Cushing em Rogue One : Um História Star Wars

Figura de Peter Cushing ante a Estrela da Morte

O filme, que estreou esta semana no Brasil, acontece antes dos acontecimentos do filme original de 1977 de George Lucas.

A maioria não vai se lembrar de Peter Cushing (só os mais velhões). O grande ator inglês de filmes de terror volta à vida com o personagem Grand Moff Tarkin, através de efeitos visuais. 

Quem atua fisicamente como Tarkin é o ator britânico Guy Henry, que atua em séries da BBC. O ator não tem a cara chupada característica de Cushing, mas tem semelhança
Guy Henry
com ele. Depois da sua atuação no filme, o pessoal de efeitos da Industrial Light & Magic (ILM), na pós-produção, substituiu o rosto de Guy pelo de Cushing.


Ficou tão impressionante que a antiga secretária de Cushing, Joyce Broughton, que toma conta da herança de Peter, viu a estreia do filme em Londres com seus netos. Ela quase caiu de costas quando viu a criação na tela.

"Quando você convive com uma pessoa por 35 anos, o que você espera?" disse Broughton. "Não posso dizer mais, porque me emocionou muito. Ele era uma grande alma. Ele tinha seu modo particular de viver."

Broughton que recebeu a herança dos bens de Cushing, quando ele morreu sem herdeiros em 1994, foi reticente em entrar em detalhes sobre a situação, devido a um acordo de confidencialidade assinado por ela com a Disney e Lucasfilm. Apesar da emoção, ela disse que ficou encantada pela experiência de ter visto o filme.

"Eu tenho que confessar que não sou uma fanática de Star Wars, mas acho que quem quer seja que tenha feito isso, foi absolutamente fantástico." disse ela. "Não foi um efeito pobre. Foi realmente muito bom!"


Peter Cushing à esquerda, no filme original de 1977
A ressurreição de Cushing foi primeiramente vista em agosto de 2015. Uma imagem rápida do futuro comandante da Estrela da Morte foi passada em clips de TV para o filme.

Um representante da Lucasfim disse à revista Variety, fonte deste artigo do blog, que os produtores do filme não vão discutir os detalhes dos recursos usados na volta de Cushing até Janeiro de 2017, a fim de que o público possa ver o filme sem receber "spoilers" dos detalhes. Mas a implicação, que possa advir desse grande feito e outros como esse futuro, é outra coisa  a ser considerada e já ecoa na indústria do cinema há décadas.

Filmes como "Zelig", "Cliente Morto Não Paga" e "Forrest Gump" fizeram a recriação de personalidades do passado. O diretor Robert Zemeckis, em 1995, reviveu Humphrey Bogart com a ajuda da equipe da ILM para um episódio da "Contos da Cripta" da HBO.

Mais recentemente, em 2012, o cantor de hip-hop, Tupac Shakur, foi trazido de volta à vida, via holograma, para uma atuação no Festival de Artes e Música de Coachella Valley, na Califórnia. E no ano passado, a equipe de efeitos especiais teve que trabalhar bastante para completar a atuação de Paul Walker no filme "Velozes e Furiosos 7", depois que o ator morreu no meio da produção do filme.

"Estamos fazendo pessoas "fotoreais" há algum tempo já em filmes, " disse Richard W. Taylor II, um membro da Associação dos Diretores e ex vice presidente da Sociedade de Efeitos Especiais. Taylor foi quem executou o desenho eletrônico conceitual no original "Tron" e em outros filmes antes deste.

"Foi quando estava chegando as simulações por computador e já se levantavam questões como "Temos que arranjar um empresário para eles?", disse ele.

O projeto atual de Taylor é uma nova tecnologia de realidade virtual sem necessidade de uso de artefato na cabeça, chamado de Eymerce, que vai permitir que o público interaja com humanos virtuais fotoreais em tempo real. Um dos parceiros da empresa é o show de tributo a celebridades "Legends in Concert", que atualmente precisa de imitadores de artistas de música, que se utilizaram de cirurgia plástica para se parecer com os músicos. A tecnologia pode levar esse fenômeno para um nível seguinte, onde um ator, que estudou os jeitos e maneirismos de uma pessoa famosa, consegue um efeito convincente, junto com a ajuda dos efeitos especiais.

Quando o assunto envolve uma celebridade falecida, surge o que se chamam de direitos de arena postmortem, nos quais o uso de forma lucrativa de um nome, aparência, imagem de pessoa famosa são decididos pelos seus herdeiros.

Essa tecnologia levanta todos os tipos de perguntas no segmento do cinema e TV: se um ator não quer participar da continuação de um filme, os produtores podem achar uma maneira de inclui-lo de qualquer modo? Exemplo: o modo como trouxeram de volta James Franco para filme "Planeta dos Macacos: O Confronto" ao reciclarem cenas apagadas do filme "Planeta dos Macacos: A Origem" ? Outro exemplo:  se o contrato de uma atriz a protege de filmar uma cena nua, poderia ser criado virtualmente a cena, usando-se dublê virtual?

Quanto aos mortos, o estado da Califórnia protege o direito de controle de como a imagem de um ator  ou atriz possa ser usada, depois da sua morte. A legislação, aprovada em 1984, estabelece que o direito post-mortem de publicidade é de até 50 anos após a morte do indivíduo. A lei foi uma resposta para um caso em que os herdeiros de Bela Lugosi não conseguiam evitar o uso da imagem dele de Drácula para fins comerciais. Depois da pressão da Associação dos Atores, a legislação estendeu o direito para até 70 anos.

A proteção cobre apenas os que morreram na Califórnia. No Reino Unido, onde Cushing viveu e faleceu, não se reconhece o direito de publicidade após a morte. Mesmo assim, a Lucasfilm certificou-se de obter a permissão de quem tomava conta da herança de Cushing, para poder usar sua imagem em Rogue One


Fonte: Variety

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